Coelhos falsos são usados para atrair pítons-birmanesas nos Everglades
Pesquisadores da Universidade da Flórida desenvolvem iscas tecnológicas que imitam sinais associados às presas das cobras para facilitar sua localização e remoção
Pesquisadores da Universidade da Flórida estão testando coelhos artificiais de alta tecnologia para atrair pítons-birmanesas, espécie invasora que vem causando impactos sobre a fauna nativa dos Everglades.
Os dispositivos imitam diferentes sinais que as cobras usam para localizar presas, como movimento, cheiro, vibrações e calor. A ideia é fazer com que as pítons deixem seus esconderijos e permaneçam em locais conhecidos, facilitando o trabalho dos caçadores.
Segundo o professor Robert McCleery, responsável pela pesquisa, os pesquisadores já instalaram cerca de 90 coelhos artificiais na região. Cada equipamento pode ser programado para emitir diferentes combinações de sinais, permitindo identificar quais são mais eficazes para atrair as cobras.
A tecnologia também precisa resistir às condições do sul da Flórida. Os dispositivos ficam elevados para evitar problemas causados por chuva e alagamentos, enquanto redes de proteção ajudam a impedir a interferência de outros animais.
Além de atrair as pítons, o projeto utiliza inteligência artificial para identificar quando uma cobra se aproxima. Quando isso acontece, caçadores que estejam nas proximidades podem receber um alerta com a localização para fazer a remoção do animal.
Os pesquisadores afirmam que as cobras não costumam atacar os coelhos artificiais. Em vez disso, permanecem próximas deles por longos períodos, comportamento que pode dar aos caçadores mais tempo para localizá-las.
A estratégia busca enfrentar um dos principais desafios do controle das pítons: encontrar os animais em uma área extensa e de difícil acesso. O projeto é financiado pelo South Florida Water Management District e desenvolvido em parceria com a empresa REWYLD.
A equipe também pretende construir um laboratório na Universidade da Flórida para realizar testes durante todo o ano. Atualmente, os experimentos em campo ficam concentrados principalmente nos meses mais quentes, entre junho e setembro.
O projeto busca arrecadar cerca de US$ 200 mil para ampliar as pesquisas, desenvolver a tecnologia e criar a estrutura de testes. As doações podem ser feitas por meio do fundo Project Hopper, da University of Florida Foundation.
Fonte: NBC