Flórida se une a processo contra Dollar General por cobrar preços acima dos anunciados

Ação da Comissão Federal de Comércio dos EUA acusa a rede de práticas enganosas em cerca de 21 mil lojas. Consumidores relatam diferenças entre os valores nas prateleiras e os cobrados no caixa.

Por Lara Barth

Dólar; dinheiro; economia

A Flórida está entre os 20 estados americanos que aderiram a um processo federal contra a rede de lojas de descontos Dollar General, acusada de cobrar dos clientes valores superiores aos anunciados nas prateleiras e em propagandas.
A ação foi movida pela Comissão Federal de Comércio dos Estados Unidos (FTC, na sigla em inglês) no Tribunal Distrital Federal do Distrito Médio do Tennessee. Segundo a agência, a empresa teria mantido práticas enganosas de precificação por um longo período, mesmo tendo conhecimento dos problemas.
A Dollar General opera cerca de 21 mil lojas em todo o país. Para Christopher Mufarrige, diretor do setor de proteção ao consumidor da FTC, a prática prejudica principalmente pessoas e comunidades que enfrentam dificuldades para equilibrar o orçamento.
Falta de funcionários estaria entre os problemas
De acordo com a FTC, uma das causas das divergências seria o número insuficiente de funcionários nas lojas. Embora a empresa tenha procedimentos para garantir que os preços cobrados no caixa correspondam aos anunciados nas prateleiras, equipes reduzidas dificultariam o cumprimento dessas regras.
A agência afirma que comunicações internas indicam que executivos tinham conhecimento da situação. Em um exemplo citado no processo, uma ex-assistente de gerência de uma loja em Illinois relatou que passava boa parte dos turnos trabalhando sozinha.
A ação, que tem 95 páginas, reúne dezenas de relatos de consumidores e funcionários de diferentes estados. Em alguns casos, clientes teriam sido informados de que não era possível corrigir o preço no caixa.
Consumidores da Flórida também relatam cobranças indevidas
Segundo o processo, um consumidor da Flórida apresentou uma reclamação em abril de 2025, afirmando que, ao longo do ano anterior, encontrou repetidamente produtos anunciados por um valor nas prateleiras ou em propagandas on-line, mas cobrados por preços mais altos no caixa.
O cliente afirmou ter verificado mais de 15 lojas da região e encontrado problemas semelhantes. Também relatou que funcionários diziam não ter autorização para alterar os valores cobrados.
Outro caso citado pela FTC ocorreu em novembro de 2025. Uma consumidora da Flórida teria sido cobrada em US$ 2,50 por um frasco de xampu infantil da Johnson & Johnson, embora a etiqueta na prateleira indicasse US$ 2. Segundo a denúncia, ao questionar a diferença, ela recebeu a opção de pagar o valor mais alto ou não levar o produto.
Dollar General contesta as acusações
A empresa, sediada em Goodlettsville, no Tennessee, não respondeu diretamente a um pedido de comentário, mas publicou uma declaração em seu site contestando as alegações.
A Dollar General afirmou que o processo transmite uma visão equivocada de suas práticas e negou ter abandonado o compromisso com preços acessíveis.
“Nosso objetivo é ter 100% de precisão entre os preços nas prateleiras e no caixa em todas as lojas”, declarou a empresa. A rede reconheceu que divergências ocasionais podem ocorrer, mas afirmou que seus funcionários são orientados a corrigir os problemas e que os procedimentos de conferência de preços foram aprimorados nos últimos anos.
Além da Flórida, participam da ação Alabama, Arizona, Arkansas, Califórnia, Connecticut, Illinois, Iowa, Kansas, Louisiana, Michigan, Mississippi, Nebraska, Nova Jersey, Carolina do Norte, Ohio, Oklahoma, Tennessee, Utah e Wisconsin.
O processo busca responsabilizar a rede pelas práticas descritas pela FTC. As acusações ainda serão avaliadas pela Justiça.

Fonte: NBC