Caso Legacy Imigra: justiça federal acusa 13 pessoas em investigação de fraude milionária contra imigrantes em Orlando
Nova denúncia aponta falsificação de documentos, fraudes em vistos e casamentos para obtenção de Green Card. Empresa investigada teria movimentado mais de US$ 20 milhões, segundo autoridades da Flórida.
O caso da Legacy Imigra, empresa de Orlando investigada por supostas fraudes milionárias contra imigrantes, ganhou novos desdobramentos. O Departamento de Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (2) que 13 pessoas de origem brasileira e cubana foram formalmente acusadas na Justiça federal por envolvimento em um esquema que teria explorado estrangeiros em busca de regularização migratória.
As acusações incluem fraude eletrônica, conspiração para fraude em vistos, falsificação de documentos de imigração, casamentos fraudulentos e contratação irregular de trabalhadores sem autorização de emprego.
A denúncia foi apresentada em 21 de outubro ao Tribunal Federal do Distrito Central da Flórida, em Orlando, e divulgada publicamente em 2 de novembro.
A investigação amplia o caso revelado em abril, quando quatro pessoas ligadas à Legacy foram presas após uma operação conduzida pelo Gabinete do Xerife de Orange County, em colaboração com autoridades federais.
Na ocasião, o xerife John Mina informou que a empresa havia arrecadado mais de US$ 20 milhões em aproximadamente três anos, principalmente de imigrantes brasileiros. Esse valor representa uma estimativa da investigação estadual, não uma quantificação definitiva dos prejuízos reconhecida pela Justiça federal.
Empresa teria oferecido serviços jurídicos que não podia prestar
De acordo com os promotores federais, a Legacy Imigra Solutions LLC, também conhecida como Legacy Group, funcionou entre agosto de 2023 e abril de 2026 sob o comando de Vagner Soares de Almeida, de 54 anos.
A empresa se apresentava como uma organização especializada em processos migratórios, com profissionais e advogados supostamente qualificados para orientar estrangeiros na obtenção de vistos, asilo e outros benefícios nos Estados Unidos.
Entretanto, segundo a acusação, os responsáveis ofereciam orientações jurídicas falsas, incompletas ou incorretas para convencer os clientes a contratar seus serviços.
A denúncia afirma que os investigados utilizavam redes sociais, sites e aplicativos de mensagens para atrair principalmente brasileiros, com publicidade em português e espanhol.
Documentos falsificados e correspondências controladas
Um dos pontos mais graves da investigação envolve a suposta falsificação de informações apresentadas às autoridades migratórias.
Entre os processos mencionados estão pedidos de asilo, visto T, visto de trabalho H-1B e documentos relacionados à categoria EB-3, utilizada em determinados processos de imigração baseados em emprego.
Os promotores também afirmam que funcionários da empresa criavam contas de e-mail em nome dos clientes e controlavam as correspondências enviadas pelas autoridades americanas.
Dessa forma, segundo a denúncia, a Legacy podia receber notificações oficiais sem que os próprios imigrantes tivessem acesso direto às informações de seus processos.
Outro procedimento investigado era a retenção de documentos migratórios, que seriam liberados somente mediante pagamentos adicionais.
O documento judicial identifica ainda transferências feitas pelo aplicativo Zelle para contas de Vagner Soares de Almeida, utilizadas como exemplos nas acusações de fraude eletrônica.
Investigação também envolve casamentos fraudulentos
Uma das principais novidades da denúncia federal é a inclusão de três episódios de supostos casamentos organizados para obtenção irregular de residência permanente nos Estados Unidos.
Segundo os promotores, Juliana Colucci teria participado de um esquema envolvendo Ronay Castillo Salazar, enquanto Vagner Soares de Almeida aparece em outro episódio relacionado a Rebecca Aldama Garcia.
Um terceiro caso envolve Lorraine Soares Oliveira e Mijail Cabrera Nunez.
Issac Antonio Narvaez também é acusado de participar dos três episódios.
A Justiça federal investiga se os casamentos foram realizados com a finalidade de contornar as exigências da legislação migratória e obter Green Cards de maneira fraudulenta.
Quem são os 13 acusados?
A nova denúncia identifica oito pessoas ligadas à operação da Legacy:
• Vagner Soares de Almeida, 54 anos
• Juliana Colucci, 47 anos
• Lucas Felipe Trinidade Silva, 34 anos
• Ronaldo de Campos, 35 anos
• Erick Bruno Gonçalves de Assis Pinto, 34 anos
• Nathalia da Costa Ferreira, 43 anos
• Nathalia Gomes Ciriaco, 29 anos
• Kelen Cristina da Silva, 37 anos
Os outros cinco acusados aparecem nas investigações relacionadas aos supostos casamentos fraudulentos:
• Issac Antonio Narvaez, 69 anos
• Ronay Castillo Salazar, 51 anos
• Rebecca Aldama Garcia, 40 anos
• Mijail Cabrera Nunez, 52 anos
• Lorraine Soares Oliveira, 32 anos
Os quatro primeiros integrantes da lista já haviam sido presos em abril, durante a operação estadual. O comunicado federal mais recente confirma as acusações contra os 13 envolvidos, mas não informa que todos estejam atualmente presos.
Vítimas podem ter perdido milhares de dólares
Quando o caso foi revelado em abril, as autoridades de Orange County informaram que algumas vítimas haviam registrado perdas individuais entre US$ 2.500 e US$ 26 mil.
Os investigadores também identificaram possíveis vítimas em diferentes estados americanos, incluindo Flórida, Carolina do Sul, Connecticut e Nova Jersey.
A polícia acredita que o número total de pessoas afetadas pode chegar às centenas.
A denúncia federal também prevê a possibilidade de confisco de bens e recursos financeiros vinculados aos crimes, conforme o andamento do processo judicial.
Entretanto, ainda não há confirmação oficial de um calendário de restituição nem de quanto dinheiro poderá ser efetivamente devolvido às vítimas.
Acusados podem enfrentar até 20 anos de prisão
Segundo o Departamento de Justiça, as acusações mais graves, relacionadas à fraude eletrônica e conspiração para esse tipo de fraude, preveem penas máximas de até 20 anos de prisão por acusação.
Outras infrações podem resultar em penas de até dez anos por conspiração para fraude em vistos e até cinco anos por conspiração para fraude matrimonial, caso haja condenação.
A investigação envolve diferentes órgãos, incluindo Homeland Security Investigations (HSI), USCIS, ICE, IRS, agentes federais e autoridades policiais da Flórida.
O processo está sob responsabilidade da Justiça Federal em Orlando.
Todos os 13 acusados têm direito à defesa e são considerados inocentes até que sua culpa seja comprovada judicialmente.
O que devem fazer os clientes da Legacy Imigra?
O caso também levanta preocupações sobre a situação de imigrantes que contrataram a empresa e podem ter documentos ou informações incorretas apresentados às autoridades americanas.
Especialistas recomendam que os clientes busquem orientação de um advogado de imigração devidamente habilitado, obtenham cópias de todos os documentos apresentados e verifiquem a situação de seus processos diretamente nos canais oficiais do governo.
Ter contratado a empresa não significa, por si só, que o imigrante tenha cometido uma fraude. Cada caso precisa ser analisado individualmente, especialmente quando o cliente desconhecia as informações utilizadas em seu nome.
O Gabinete do Xerife de Orange County orientou possíveis vítimas a procurar as autoridades pelo telefone 407-836-4357.
Para verificar o andamento de processos, os imigrantes podem acessar o site oficial do USCIS: www.uscis.gov.
A nova etapa federal da investigação amplia a responsabilidade criminal atribuída aos envolvidos e reforça a necessidade de esclarecimento sobre o destino do dinheiro e a situação migratória das famílias afetadas.
O Gazeta News continua acompanhando os desdobramentos do caso Legacy Imigra.
Fontes: Departamento de Justiça dos Estados Unidos, denúncia federal do processo nº 6:26-cr-00264-AGM-LHP e Gabinete do Xerife de Orange County.