Trump amplia expurgo no Partido Republicano e derrota críticos em prévias eleitorais
Presidente fortalece controle sobre o partido ao impulsionar candidatos alinhados ao trumpismo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua ofensiva para consolidar o controle sobre o Partido Republicano, promovendo derrotas políticas de integrantes da sigla considerados críticos ou independentes em relação ao seu governo.
Nos últimos dias, dois republicanos que haviam se desentendido com Trump perderam disputas internas do partido para candidatos apoiados diretamente pelo presidente.
Entre eles está o deputado Thomas Massie, do Kentucky, derrotado nas primárias republicanas desta semana, e o senador Bill Cassidy, da Louisiana, que também fracassou na tentativa de garantir espaço para disputar as eleições legislativas de novembro.
Trump amplia influência nas primárias
Nos Estados Unidos, as eleições primárias funcionam como uma seleção interna dos partidos para definir quem poderá concorrer oficialmente aos cargos públicos.
Com apoio financeiro de grupos aliados e forte influência política sobre a base republicana, Trump vem impulsionando candidatos alinhados ao movimento trumpista e enfraquecendo nomes considerados dissidentes.
As eleições de meio de mandato de 2026 são vistas como estratégicas porque podem alterar o controle do Congresso americano.
Caso Massie virou símbolo da disputa
Thomas Massie, deputado desde 2012, vinha se destacando por críticas à política externa da Casa Branca, especialmente em relação ao Irã e à Venezuela.
Ele também ganhou projeção após defender a divulgação de documentos ligados ao caso Jeffrey Epstein.
Além disso, Massie contrariou grupos pró-Israel ao votar contra medidas de apoio militar a Israel e contra resoluções de condenação ao antissemitismo.
Durante a campanha, grupos ligados ao lobby pró-Israel investiram mais de US$ 9 milhões em apoio ao adversário de Massie, Ed Gallrein, ex-integrante da força de elite Navy SEAL e apoiado por Trump.
A disputa acabou se tornando a primária para deputado mais cara da história dos EUA, com mais de US$ 32 milhões gastos em publicidade.
Após a derrota, Massie criticou a lealdade absoluta ao presidente dentro do Congresso.
“Se o Legislativo sempre vota conforme a direção do vento, então temos um governo da arruaça”, afirmou.
Cassidy também caiu após romper com Trump
O senador Bill Cassidy entrou em rota de colisão com Trump após votar favoravelmente ao processo de condenação do presidente pela invasão ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021.
Ele também apoiou investigações sobre o episódio e sugeriu anteriormente que Trump desistisse da candidatura presidencial de 2024.
Nas redes sociais, Trump chamou Cassidy de “desastre desleal” e “cara terrível”.
Outros republicanos também foram atingidos
O movimento de expurgo também afetou políticos estaduais e antigos aliados.
Cinco senadores estaduais republicanos da Louisiana perderam espaço após se oporem a propostas eleitorais defendidas por Trump.
Já Brad Raffensperger, secretário de Estado da Geórgia que resistiu às pressões de Trump para alterar o resultado das eleições de 2020, também acabou derrotado em disputa interna republicana.
Outro caso citado foi o da ex-deputada Marjorie Taylor Greene, que se afastou após entrar em conflito com Trump sobre Israel e a divulgação de documentos relacionados a Epstein.
Segundo aliados do presidente, a estratégia mostra a força política de Trump dentro do Partido Republicano mesmo diante de desafios eleitorais e da queda recente em índices de popularidade.
Fonte: G1