O Pulo do Gato

Por Gazeta Admininstrator

Conta a lenda que, em uma floresta distante, uma onça pintada andava a fim de satisfazer seu apetite e comer uma carninha fresca de coelho. Ela ficava horas e horas observando os coelhinhos saírem de suas tocas e andarem saltitando pelas matas. Ela tentou várias vezes copiar o estilo do coelho, imitava seu jeitinho, colocava suas patinhas alinhadas como as dele e tentava saltar como ele, na tentativa de usar a própria técnica dele para vencê-lo.

Como não conseguia avanços significativos, a onça se aproximou do coelho e iniciou ali um bate-papo informal de como quem não queria nada. Foi fazendo perguntas, se relacionando, e, por fim, elogiou sua forma de andar e de saltar; e emendou que essa admiração era sincera, fruto de uma profunda veneração e disse ao coelho que desejava anciosamente aprender com ele sobre seus saltos e pediu algumas lições, pois a natureza não tinha sido benevolente para com ela e ela tivera nascido onça, mas que na verdade seu desejo era ter nascido coelho.

Comovido com essa história toda, o coelho concorda em dar algumas lições para a onça, em caráter experimental. Passam algumas horas de treino, e após muitos saltos, muitos tombos, muitos desengonçados trejeitos, e muitos risos, a onça, já se sentindo mais capacitada e já preparada para seu almoço, diz ao coelho: ?Agora que você já me ensinou seus truques e suas técnicas, chegou a minha hora, vou comê-lo!?.

Mal terminara sua frase, deu um salto ?coelhal? maravilhoso sobre sua vítima e com suas garras afiadas, desceu poderosamente as patas em direção ao seu alvo, já sentindo o gostinho daquela carne fresquinha entre suas mandíbulas. Qual não foi sua surpresa quando abriu suas patas e percebeu que só havia apanhado poeira, pois o coelho houvera dado um pulo para trás de forma espetacular. Então a onça, furiosa, disse ao coelho: ?Você me enganou, você não é um bom amigo, você não me ensinou esse truque?. Foi quando o coelho lhe respondeu: ?Minha amiga, esse truque, todo coelho sabe: é o pulo do gato. É nossa forma de sobrevivência. E esse truque não podemos ensinar a ninguém?.

Essa frase: ?O Pulo do Gato?, ficou muito conhecida no mercado empresarial, quando alguém quer dizer que aprendeu a fazer a coisa certa que até então era segredo para ela. Quem não já viu a mesma história praticada no dia a dia dos negócios? Os personagens mudam de nome, mas a estrutura é a mesma.

Em um mercado competitivo, onde quem pode mais, engole o que pode menos, vejamos um exemplo: o funcionário aprendiz se aproxima de um dono de um negócio próspero, em uma área específica, e diz para o dono do negócio, que a vida não tem sido afortunada para ele, que ele nunca aprendeu nada interessante, que ninguém nunca deu uma oportunidade a ele para mostrar seu potencial, que ele pode aprender qualquer coisa e ainda poderá ajudar em todo o tempo. Quebrantado com esse apelo, o dono do negócio próprio contrata o funcionário aprendiz e começa a ensinar o negócio, seus clientes, seus fornecedores, sua forma de entrega, sua margem de lucro, seus contatos chaves e sua forma de gerir o negócio.

Quando o funcionário aprendiz sente que já ganhou bastante espaço na empresa, que já conhece bem os clientes, já se relaciona muito com os fornecedores, tem todas as informações nas mãos, fez um backup dos arquivos do computador da empresa, e conquistou o coração de muitos, é a hora dele dar o pulo para devorar a sua vítima. Chegou a hora dele assumir a posição que sempre desejou: o lugar de seu chefe.

O desfecho desta história poderá ter dois finais muito distintos, a depender da posição que o dono da empresa tomou desde o princípio:

1- Se o dono da empresa ensinou tudo a seu funcionário e abriu todas as informações a ele, ELE SERÁ COMIDO E DEVORADO.

2- Se o dono da empresa ensinou os básicos, mas guardou as informações chaves consigo, ELE SAIRÁ ILESO da arrancada e do avanço de seu funcionário aprendiz.

Na vida empresarial temos muito a aprender das nossas histórias folclóricas. E tirar proveito delas. Que em 2010 você saiba dar o ?pulo do gato? na hora certa. E aprender a treinar seus funcionários com mais cuidado.