Todos buscamos o amor. Consciente ou inconscientemente, temos sonhos sobre o amor. Somos levados por algum tipo de profundo anseio a desejar e procurar aquele amor que nos preencherá e completará... O que é o amor? Perguntados, respondemos que o amor é doação, é cura, é felicidade, é... tudo de bom! E um dia, mais cedo ou mais tarde, certamente encontraremos o amor, ou pelo menos assim vamos achar. E o que vai acontecer? Era o que esperávamos? Era como sonhávamos? Não. Nunca é. Nem por isso deixa de ser amor. Mas também: nem tudo o que achamos que é amor é Amor. Por que, afinal, o que é mesmo amor? Amor é uma força revolucionária e transformadora que não é fácil sustentar. O amor nunca deixa as coisas como estavam. O amor assusta, muitas vezes complica. O amor nos seduz pela sua força eruptiva que como um vulcão passa por cima de tudo. O amor é sempre um fato extra-ordinário. Amor arrasta e leva. O amor não é conveniente. O amor não aceita zonas de conforto, se entedia e logo vaza para o ar livre. O amor não tolera neuroses por muito tempo. O amor é amor incondicional por si mesmo, pois o amor é fiel ao amor não aos comodismo e limites do ego. O amor exige lealdade e coragem. Nessa jornada de gloriosa transformação, o amor derruba muitas fachadas e descortina verdades e, nisso, o amor cria conflitos. Para amar é preciso sermos grandes, maiores que os medos e do nosso passado, caso contrário amar não supera as diferenças coisa nenhuma. Mas amor é também doçura, delicadeza, gentileza, sensibilidade. O amor é poesia – quem tem ouvidos para entendê-la consegue captar as sutilezas de sua mensagem. Aos outros sobra a sensação, a eterna busca, a ilusão que pode durar décadas até cair e se revelar pelo que é: um fingimento, o eco longínquo de uma realidade nunca alcançada.
Amor “Extra-Ordinário”
Quem está por demais preocupada consigo mesmo não sabe amar. Quem é carente demais não tem o que dar. Os traumatizados pelas muitas vicissitudes da vida precisam se curar antes de poder amar. Precisa ser forte e estar pronto, senão não é amor, é pronto-socorro. Ao amar temos que poder olhar para o outro e reconhecê-lo em sua diferença. Precisamos saber enxergar além de nós e, assim, dar ao outro a forma do amor que o outro reconhece como amor e precisa. Não adianta você dar amor de um jeito que o outro não entende e não aprecia. É como dar ração de periquito para seu cachorro achando que o está amando e, ainda por cima, que este deveria lhe ser agradecido por receber tamanha demonstração de amor! Pode lhe dar a mais cara ração de ave que encontra no mercado e mesmo assim seu cachorro não vai se sentir amado. Quem quer amar tem que saber o que faz o outro se sentir amado. O amor é força inquieta e arredia que estimula e promove. Uma vez que se libera dos limites do ego e é assumido conscientemente pelo Eu que quer evoluir, o Amor faz milagres. Se somente o deixarmos agir... A entrega que o amor exige é profunda e por isso ela pode ocorrer por etapas e até com pessoas diferentes. Esta é uma jornada que podemos demorar uma vida inteira para realizar, mas que vale a pena. Amar é sempre um desafio. Então, em primeiro lugar, você precisa se perguntar: você topa esse desafio?