Madruguei para assistir ao casamento do Príncipe Harry da Inglaterra com a americana Meghan Markle.
E gostei do que vi.
O casal está reescrevendo os contos de fadas.
Mais do que um casamento lindo, vi um casamento de verdade, com a coerência das crenças dos noivos, não crenças religiosas, mas crenças de vida.
E como admiro isto.
Acho que o mais emblemático foi o vestido de noiva, a entrada sozinha na primeira metade da nave e não fazer votos de obediência, repetindo a Princesa Diana.
No dia anterior vi cada aposta que hoje, ao vê-la sair do carro, tive que rir. Até um vestido estilo Kim Kardashian foi considerado, porque valorizariam suas formas.
E ela chegou num lindo, simples mas suntuoso vestido. No primeiro momento fiquei meio sem saber o que pensar.
Todo ele era baseado no véu e neste foram bordadas flores da várias localidades do mundo.
Ao longo da cerimônia fui me encantando pelas inovações e mistura de culturas. Ficou lindo, sem desrespeitar nem a cultura de um, nem do outro.
A garota não é fraca não.
Ela é feita de carne e osso como nós, não é rica, não é branca, não é virgem, não tem sangue azul, mas é inteligente,trabalhadora, se fez por si mesma e feminista., apesar das opiniões contrárias dos meio-irmãos, que me pareceu despeito.
Isto muda a narrativa de princesa de contos de fada para sempre.
Desde que o Harry era pequeno, revistas e jornais especulavam sobre sua futura noiva. Elas tendiam a ser jovens ricas, da aristocracia britânica cujos pais tinham um castelo e que dedicaram irem a festas e serem fotografadas ao invés de trabalhar das nove as cinco. E olha que foram muitas, mais precisamente treze, todas convidadas e presentes no casamento.
Nos antigos contos de fada os vestidos brilhavam, o maior valor que a mulher tinha era sua beleza e onde se esperava que falassem pouco e esperassem passivamente serem resgatadas por seu príncipe.
Na vida real ser uma princesa era ser predestinada a ter uma vida miserável.
As filhas do Rei George III tinham uma vida restrita dentro do Castelo de Windors, mal podiam sair. A princesa espanhola Catharina de Aragão, depois que seu primeiro marido Arthur morreu, foi mantida na corte inglesa, empobrecida porque Henry VII recusava a pagar o dote e ambas princesas Elisabeth e Mary foram maltratadas por Henry VIII. Mary foi particularmente punida pela lealdade que tinha a sua mãe Catharina de Aragão e sua recusa de aceitar a amante Ana Bolena.
Recentemente a princesa Margaret (quem viu a série The Crown pode comprovar) teve que escolher entre uma vida de privilégios e glamour ou casar com seu grande amor, Peter Townsend.
Quanto mais a gente lê sobre a vida real das princesas, menos a gente quer ser uma.
A nova princesa (ela não vai ter este título, mas não deixa de ser) é uma mulher que fala de forma eloquente e apaixonada sobre tudo, desde sua experiência sobre racismo, a pobreza até o movimento contra o assédio e que solicitou doações como presente de casamento para serem doados para a caridade.
Espero que tenha mais sorte do que a sogra, a querida Princesa Diana, que pagou um preço bem alto por levantar a voz.
Sempre me emociono quando vejo os dois juntos em cerimônias. Lembro deles , criança, caminhando atrás do esquife da mãe.
Desejo que o casamento do Harry e Meghan seja longo e que engrandeça as causas que eles abraçarem