Dias das Mães: menos eletrodomésticos, mais respeito e SPA
Por Arlaine Castro
women-mother day
Todo segundo domingo de maio desde 1914, alguns países, incluindo o Brasil e os Estados Unidos celebram o Dia das Mães. Mas, uma data que deveria servir para realmente valorizar é usada pelos filhos como momento propício para dar um presente material do tipo uma panela de pressão ou ferro elétrico – sim, os eletrodomésticos disparam no quesito “presentes” nessa data e se livrar da culpa de não conviver com ela. O consumismo desenfreado ajudou a transformar a data em um simples “comércio”. É no Dia das Mães que os comerciantes mais lucram e o movimento no mercado deve render este ano de 2018 nada menos que 17 bilhões de reais, segundo pesquisa do Serviço de Proteção ao Crédito e da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Basta uma busca pela internet para encontrar inúmeras ofertas e até dicas de como alavancar as vendas nessa época do ano. Entretanto, além do presente material, o que a maioria das mães dos dias de hoje quer é um dia relaxando no SPA ou se embelezando no salão de beleza. Por que não? A mudança nos hábitos da sociedade atual deve ser percebida e acompanhada. Foi-se o tempo que mães eram sinônimo de eletrodomésticos e coisas do lar. Sem contar que a data permite também que muitos filhos aproveitem para se desculpar pelo dinheiro emprestado que nunca é devolvido, pela falta de tempo para dar um passeio ou até mesmo fazer uma viagem “dos sonhos” com a mãe. Mas por que a maioria prefere passar por cima dos desejos da mãe e fingir que isso não é algo tão importante como trocar a panela de pressão velha por uma nova? “As mães deveriam ser eternas”. Tal frase proferida e postada diariamente na internet ganha muito mais força nessa época do ano. A maioria delas é dita da boca pra fora, ou somente escrita sem que dê a menor importância na vida real. Mas e quando os filhos matam a mãe? Sabemos que há inúmeros casos do tipo e no Brasil e no mundo, mas o mais famoso deles quando se toca no assunto sem dúvida é o da Suzane Von Richthofen. Quem não ouviu falar da menina com então 20 e poucos anos que ajudou a armar o assassinato da própria mãe e do pai por causa da herança¿ Suzane, seu ex-namorado Daniel Cravinhos e o irmão dele, Christian, foram condenados pelos assassinatos de Manfred e Marísia von Richthofen, ocorridos em 2002. Cômico se não fosse trágico, a lei penal brasileira concede saída temporária de “Dia das Mães” para um assassino condenado pela morte da própria. No regime semiaberto, os presos têm direito a cinco saídas temporárias ao ano (Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal/Ano Novo). Condenada a 39 anos de prisão, em 2016, Suzane usufruiu pela primeira vez do benefício da saída temporária, concedido a detentos que estão em regime semiaberto, têm bom comportamento, cumpriram um sexto da pena - no caso de réus primários - ou um quarto - no caso de reincidentes. Isso é de se espantar e é, no mínimo, contraditório. Claro que a data é especial e deve ser comemorada. Com mais respeito, amor e um dia para ELA no SPA, salão ou qualquer outro lugar que ela queira.