Suas emoções são autênticas?

Por Adriana Tanese Nogueira

sad-2042536_960_720
A dimensão emocional do nosso ser é um elemento fundamental para o crescimento pessoal e professional. Sem ela nada consegue de fato se desenvolver, ou melhor, sem as emoções equilibradas e saudáveis, nosso desenvolvimento será precário e falacioso. Quando as emoções não são administradas corretamente, acontece um fenômeno interessante: as emoções estagnam. É como se elas quisessem ser integradas na consciência e batessem à porta. Bate uma vez, bate duas, você não atende... elas regridem para o inconsciente, ou seja, se tornam inconscientes... a você! Isso não significa que deixam de existir ou de exercer uma influência em sua vida, forma de viver e de agir. De fato, as emoções presas bloqueiam o crescimento. Como vemos isso? Pelo fato que, mesmo você se esforçando para ir adiante, aprender novos comportamentos e até modos de pensar, apesar de seu esforço... você acaba repetindo os mesmos erros ou caindo no mesmo tipo de situação e se sentindo da mesma forma... As situações podem mudar mas o padrão emocional permanece o mesmo. Na confusão que surge ao reprimir nossas emoções, o pior elemento, o que mais atrapalha é que no lugar da emoção autêntica, aparece outra, uma emoção secundária que serve para camuflar a original. As emoções de fato se estratificam. São várias as camadas de emoção, sendo que uma é a sombra da outra, uma esconde a outra... Vamos tapando o sol com a peneiro e criando emoções sempre mais deslavadas e anônimas para esconder e nos proteger das verdadeiras, intensas, reais e efetivas. Qual é o problema com as emoções secundárias? O problema é que mesmo quando as acessamos e as trabalhamos, elas não liberam o potencial de energia que contêm. Por exemplo, você tem um trauma de infância (quem não tem?), quer se libertar dele porque percebeu que acaba repetindo os padrões negativos que aprendeu lá atrás.Você sabe que sentiu raiva do pai, ou da mãe ou do irmão. Você sabe que eles tinham suas razões, ou até que eram viciados, loucos – o que for. O fato é que o teu sintoma não vai desaparecer até você entrar em contato com os sentimentos verdadeiros, as emoções autênticas da criança em você que sofreu o trauma. De nada adianta você “entender”, “justificar”. Não adianta aos fins terapêuticos. Para a cura é preciso liberar a energia presa no trauma e o método para isso é acessar a emoção diretamente, sem construções mentais, politicamente corretas, amenizadoras e aguadas. Precisamos ir à fonte. Se você tem uma ferida no joelho, não adianta tratar da perna porque tocar o joelho dói mais, certo? Outro exemplo de emoções secundárias que escondem aquelas autênticas é quando os atos de uma pessoa não condizem com suas palavras ou intenções. Você percebe que alguma coisa entra no caminho e pode observar esse fenômeno em você mesmo. Aí você se analisa e não encontra resposta porque tem certeza do que está sentindo, é aquilo mesmo que quer e assim adiante... Na verdade você não está enxergando algumas peças fundamentais do teu quebra-cabeça, sem as quais não poderá entender o que faz, por que faz e como faz. Por isso é importante receber um ponto de vista externo porque na nossa cabeça tendemos a dar as cartas do jeito que mais nos interessas. Resgatar emoções autênticas não só nos dá mais força e determinação, como aumenta nossa autoestima. Não tendo mais nada para controlar e esconder, somos mais livres e por isso mais felizes!