Tomada de consciência - Viver Bem
Um dia, andando pela casa, você nota uma porta fechada. Por baixo dela só vê escuridão. A porta lhe é desconhecida e você, de repente, sente-se desconfortável. Quando passar por perto, você não para, mas segue em frente, como se nada estivesse lá. Porém, com o passar dos dias, aquela porta lhe chama a atenção. Você não vai conseguir evitar de ficar fantasiando a respeito do que tem lá dentro. E um dia começará a ouvir barulhos. Coisas estranhas e arrepiantes. Ou coisas intrigantes. Mas, o medo continua, aliás, cresce com a desestabilizante curiosidade. De vez em quando, os sons que transpiram do quarto escuro aparentam ter relação com o que ocorre nos outros quartos. Mas nada disso poderá ser desvendado porque a porta permanece fechada.
Um dia, talvez por causa de um amor apaixonado ou de uns copos a mais, a porta é aberta, por um só momento. Constata-se que, de fato, lá é bem escuro, mas há coisas que lhe transmitem sensações, sentimentos e pressentimentos enigmáticos. Porém, as trevas permanecem assustadoras e você evitará o quarto.
Mas seus conteúdos começarão a vazar. Agora que a porta está entreaberta, o que é contido no quarto começa a espalhar-se pela casa. Tudo isso se sente, não se vê, pois a ignorância reina completa sobre o que lá tem. Mais tempo passa e, de repente, outra porta se descobre. Essa também está fechada. Em seguida, outra é entrevista. Também fechada. O desconforto que surge no ‘Eu’, a partir dessas revelações e seu desconhecimento com relação ao que está acontecendo, levam-no a buscar ajuda. A ajuda de um profissional que o orienta a conhecer esses espaços novos e desconhecidos de sua casa interior. O procedimento é simples. Ao entrar num quarto escuro, todos sabemos o que é preciso fazer antes de mais nada.
Tomar consciência e acender a luz Ao ativar a luz da consciência, pode-se, em primeiro lugar, distinguir o que é real do que é fantasia; define-se, em seguida, o que sente de verdade e se pode fazer, enfim, um inventário dos conteúdos desses espaços da casa do ‘Eu’. Aos poucos, graças a esses novos conhecimentos, o ‘Eu’ vai perceber a casa conhecida com outros olhos. Por exemplo, poderá perceber que muitos dos móveis e objetos da casa não foram escolhidos por ele, modos de pensar, sentir, ver o mundo e a si próprio foram recebidos da loja de usados da casa dos pais e da praça coletiva. A uma atenta análise, pode-se concluir que eles não são tão interessantes como pareciam na época em que a luz da consciência estava apagada. Agora, é possível fazer uma limpeza de primavera, renovar a propriedade, abrir as janelas e arejar a casa. Novos horizontes são divisados, no fundo dos cômodos e pelas janelas abertas.
Com a prática, a luz da consciência tende a não se apagar mais, e a ameaça e o tormento que existiam inicialmente, tornam-se uma aliada preciosa, um instrumento insubstituível para enfrentar a vida. Não é mais fácil enxergar o caminho se se possui a luz do discernimento sempre acesa?
