A greve dos caminhoneiros contra o reajuste do óleo diesel entra no 3º dia seguido nesta quarta-feira, 23, e afeta a vida dos brasileiros. Postos de combustíveis, supermercados e entrega dos Correios já sentem o reflexo das estradas paralisadas. Os bloqueios nas estradas também impedem o transporte das carnes e outros produtos, afetando o setor alimentício do país.
Em 23 estados mais o Distrito Federal, os caminhoneiros continuam protestando em rodovias federais e estaduais. Alguns atos ocorrem diante de refinarias, impedindo a saída de caminhões-tanque.
Já falta combustível em vários postos em cidades do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Tocantins e Distrito Federal.
A greve também afeta o sistema de transporte público. Em Recife, o número de ônibus em circulação diminuiu e o transporte escolar de algumas cidades do Mato Grosso foi suspenso.
O abastecimento de itens hortifrutigranjeiros do Ceasa está comprometido no Ceará e em Sergipe; no Rio, já houve alta dos preços de gêneros alimentícios; no Pará,supermercados começam a ficar desabastecidos.
O protesto também afeta empresas e montadoras de veículos. A produção da fábrica daVolkswagen Taubaté foi interrompida por falta de peças; bem como afetou a produção daChevrolet, Ford e Fiat.
O setor alimentício já sente o reflexo das manifestações dos caminhoneiros. Lanchonetes do MC Donald's em Belo Horizonte e outras capitais estão sem ingredientes para hambúrgueres, servindo apenas dois tipos.
Acordo
O governo brasileiro anunciou na terça-feira que eliminará a Cide sobre o diesel e a gasolina, na tentativa de acabar com a greve dos caminhoneiros contra a alta dos combustíveis, mas a proposta não contentou os manifestantes. Os caminhoneiros exigem uma redução dos preços do diesel. Desde o início de maio, o preço do diesel das refinarias (antes dos impostos) subiu 12% e o da gasolina 14%.Mas a estatal se recusa a rever a política, que considera fundamental para sua estratégia de recomposição financeira e de imagem. A Petrobras anunciou nesta quarta que o preço do diesel deve cair 1,54% nas refinarias.Segundo a Agência Nacional do Petróleo, do Gás Natural e dos Biocombustíveis (ANP), o preço médio do diesel nas bombas já acumula alta de cerca de 8% no ano. O valor está acima da inflação acumulada no ano, de 0,92%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com informações do G1.
