A recente queda do dólar frente ao real, que acumulou desvalorização superior a 10% em 2025, ainda não se traduziu em um aumento significativo nas viagens de brasileiros para a Flórida. Apesar do câmbio mais favorável, o comportamento do consumidor segue marcado pela cautela.
Dados do IBGE mostram que a taxa de desemprego no Brasil encerrou 2025 em cerca de 5,1%, próxima das mínimas históricas. Ainda assim, a percepção de insegurança econômica permanece elevada, influenciando diretamente decisões de consumo, especialmente em gastos considerados supérfluos, como viagens internacionais.
A inflação também continua impactando o orçamento das famílias. O IPCA acumulado gira em torno de 4% em 12 meses, pressionando despesas básicas e reduzindo a renda disponível.
Além disso, o início do ano concentra despesas obrigatórias relevantes, como IPVA, IPTU e material escolar, o que historicamente reduz a capacidade de consumo no primeiro trimestre.
Mesmo com esses fatores, a Flórida segue como principal destino dos brasileiros nos Estados Unidos. Em 2025, mais de 1,3 milhão de turistas do Brasil visitaram o estado, mantendo o país como líder entre os mercados internacionais.
No entanto, o custo total da viagem continua elevado. Passagens aéreas internacionais ainda operam com preços pressionados por demanda e custos operacionais, segundo entidades do setor aéreo. Já os parques temáticos, como os de Orlando, seguem com ingressos acima de US$ 100 por dia, o que impacta diretamente o orçamento familiar.
Órgãos de defesa do consumidor apontam que o brasileiro está mais seletivo, priorizando estabilidade financeira antes de assumir gastos elevados em moeda estrangeira. O resultado é um cenário em que, apesar do dólar mais baixo, o turismo internacional ainda não recuperou plenamente o ritmo esperado.
A equação é clara: câmbio favorável ajuda, mas confiança econômica e renda disponível continuam sendo os principais motores das viagens.

