Durante algumas semanas, o Brasil respirou futebol. A paixão nacional ocupou as manchetes, uniu torcidas e desviou a atenção dos problemas cotidianos. Mas, encerrada a participação da Seleção, o país volta a enfrentar a partida que realmente definirá seu futuro: a da economia.
Os desafios estão sobre a mesa. A inflação continua corroendo o poder de compra das famílias. Os juros elevados dificultam o acesso ao crédito e inibem novos investimentos. Embora os índices oficiais apontem redução do desemprego, milhões de brasileiros ainda dependem da informalidade ou convivem com salários insuficientes para acompanhar o aumento do custo de vida.
No setor produtivo, cresce um movimento preocupante: empresas brasileiras buscam no Paraguai um ambiente mais competitivo. Menor carga tributária, energia mais barata, menos burocracia e maior previsibilidade fazem do país vizinho uma alternativa cada vez mais atraente. Cada indústria que atravessa a fronteira representa empregos, renda e arrecadação que deixam de permanecer no Brasil.
A insegurança jurídica continua sendo outro obstáculo ao desenvolvimento. Empresários e investidores precisam de regras estáveis e confiança institucional para planejar investimentos de longo prazo. Quando a previsibilidade diminui, o capital procura destinos mais seguros.
Também preocupa o aumento dos pedidos de recuperação judicial e falência. Empresas tradicionais, algumas centenárias, enfrentam dificuldades para sobreviver diante do crédito caro, da desaceleração econômica e do aumento dos custos operacionais. Quando negócios que resistiram por décadas entram em crise, o sinal de alerta deve ser levado a sério.
Enquanto isso, o debate sobre novos tributos e o aumento da carga fiscal amplia a sensação de que produzir, investir e empreender no Brasil continua sendo um enorme desafio. O empresário não busca privilégios; busca regras claras, estabilidade e condições para competir.
Com a aproximação do processo eleitoral, cresce a responsabilidade de candidatos e lideranças políticas. O país precisa discutir menos narrativas e mais soluções. O Brasil necessita de segurança jurídica, responsabilidade fiscal, incentivo ao investimento privado, simplificação tributária e políticas capazes de aumentar a produtividade e gerar empregos de qualidade.
O futebol continuará sendo nossa maior paixão. Mas nenhuma conquista dentro de campo resolverá os problemas que afetam a vida dos brasileiros. A Copa acabou. Agora é hora de voltar os olhos para o verdadeiro campeonato: reconstruir a confiança, fortalecer a economia e devolver ao país a capacidade de crescer de forma sustentável.
Porque, no fim das contas, a vitória que realmente importa é aquela que melhora a vida de milhões de brasileiros.

