O Brasil atravessa um período de elevada carga tributária. Segundo o Tesouro Nacional, a carga tributária bruta chegou a 32,32% do PIB em 2024 e 32,40% em 2025. Para o Fisco brasileiro, essa arrecadação é essencial para financiar o Estado; para empresários, investidores e famílias, porém, o peso dos impostos passou a fazer parte da decisão sobre onde viver, trabalhar e investir.
Nesse cenário, cresce um movimento silencioso em direção ao Paraguai. Segundo a Dirección Nacional de Migraciones do Paraguai, 17.139 brasileiros receberam residência em 2024. Em 2025, foram 23.526, crescimento de aproximadamente 37%. E somente no primeiro trimestre de 2026, outros 9.195 brasileiros receberam residência.
O fenômeno aparece também nos pedidos. Segundo o órgão migratório paraguaio, entre janeiro e outubro de 2025 foram registrados 22.136 pedidos de residência de brasileiros, equivalentes a 57,89% de todas as solicitações no período. No primeiro semestre de 2026, o Paraguai registrou 33.243 pedidos de residência de estrangeiros, aumento de aproximadamente 62% sobre o mesmo período de 2025.
Isso não significa que todos esses brasileiros tenham abandonado definitivamente o Brasil. Muitos mantêm negócios, patrimônio e familiares no país de origem. É justamente essa característica que torna o fenômeno silencioso: é possível transferir residência ou parte da atividade econômica para o Paraguai sem romper completamente os vínculos com o Brasil.
A combinação de tributação competitiva, proximidade, MERCOSUL, custo de vida e oportunidades empresariais ajuda a explicar a atração. Não se trata necessariamente de um êxodo em massa, mas de milhares de decisões individuais apontando na mesma direção.
A pergunta já não é apenas quantos brasileiros estão deixando o Brasil, mas quanto desse movimento continuará crescendo nos próximos anos.

