As eleições de meio de mandato de 3 de novembro mudaram o equilíbrio de poder em Washington.
Os democratas conquistaram a maioria na Câmara dos Representantes e no Senado, enquanto Donald Trump permanece na Casa Branca.
A partir de janeiro, o presidente terá de negociar com um Congresso comandado pela oposição para aprovar suas prioridades.
O custo de vida pesou na eleição, e a cobrança por respostas agora alcança também o partido que ganhou.
Para os democratas, a vitória traz a oportunidade de definir a pauta das duas Casas, conduzir audiências e fiscalizar o governo.
Traz também a responsabilidade de transformar promessas em propostas que possam avançar.
Para os republicanos, a perda das maiorias reduz o espaço para conduzir a agenda do Congresso, mas o partido mantém a Presidência e, com ela, o poder de veto.
Uma reforma migratória ampla ainda dependerá de negociação entre os partidos.
No Senado, a maioria simples pode ser insuficiente para levar um projeto à votação final.
Para a comunidade brasileira nos Estados Unidos, a pergunta mais imediata é o que isso muda na vida de quem espera uma autorização de trabalho, tenta reunir a família ou teme ser separado dos filhos.
As regras de imigração continuam em vigor após a eleição. O que muda em janeiro é a capacidade do Congresso de cobrar explicações das agências federais, fiscalizar o uso de recursos públicos e negociar verbas para enfrentar problemas que
se arrastam
há anos.
Há medidas concretas que merecem prioridade. A primeira é reduzir a espera por autorizações de trabalho e renovações, com prazos públicos e explicações quando os processos atrasam.
Uma demora de meses pode custar o emprego de quem depende do documento para continuar trabalhando. Outra é dar mais transparência às detenções migratórias, com informações que permitam às famílias localizar parentes e aos advogados acompanhar os casos. Também cabe ao Congresso discutir formas de reduzir a fila de vistos familiares e dar estabilidade aos jovens que cresceram nos Estados Unidos e vivem sem uma solução duradoura para sua situação migratória.
Há trabalho a fazer também nas próximas eleições. Brasileiros naturalizados que atendem aos requisitos para votar podem cobrar compromissos dos candidatos e acompanhar como seus representantes votam entre uma eleição e outra. Para esses eleitores, informações claras sobre registro, prazos e locais de votação, inclusive em português onde houver demanda, facilitam a participação.
Quem ainda não tem cidadania americana pode levar suas demandas a audiências públicas e associações comunitárias.
É nesses espaços que uma dificuldade vivida dentro de casa pode chegar ao conhecimento de quem decide sobre leis e orçamento.
O resultado das urnas será sentido quando uma família puder saber quanto tempo seu processo vai levar, quando um trabalhador puder renovar sua autorização sem perder o emprego e quando uma pessoa detida puder ser localizada pela família e ter acesso a orientação jurídica. São cobranças que o Gazeta News considera legítimas para os dois partidos, durante todo o mandato.

