Ao contrário do que dizem por aí, a vida não é feita de escolhas. Não sei por que diabos as pessoas absorvem conceitos e os replicam sem ao menos se dar o trabalho de questionar aquilo que reverberam.
A vida é feita de consequências, não de escolhas.
Até quando não escolhemos, geramos uma consequência, portanto, não devemos ficar repetindo coisas sem sentido.
É preciso pensar antes de escolher. E é óbvio que esse pensamento deve ser direcionado às consequências. De uma vez por todas temos que entender que nós, e apenas nós, somos e temos que ser responsáveis por aquilo que nos acontece. Culpar o mundo ou alguma “conspiração cósmica transcendental orgânica” é ingenuidade. Assim como acreditar em destino ou qualquer coisa que o valha é, nó mínimo, infantil.
Para ser bem sincero, acho até que é safadeza de nossas mentes. Culpar o destino ou os outros pelas consequências das escolhas que fazemos é ridículo. É fugir da nossa resposabilidade. Assumir é sinal de amadurecimento. Lidar com todos os desdobramentos é inevitável, portanto, que isso seja feito da forma mais honesta possível.
Esse processo de escolha/consequência é uma das grandes “sacanagens” da vida. Toda escolha parece ser a melhor no momento em que a fazemos. Entretanto, na hora da consequência é que descobrimos se foi realmente certa ou errada. Se foi a melhor ou a pior. A vida, às vezes – para não dizer sempre –, é bem sem vergonha.
Passamos o dia inteiro, todos os dias, todos os anos, sendo “obrigados” a lidar com os efeitos, as sequelas de nossas opções. Como disse lá em cima, até quando não optamos, sofremos as consequências disso.
E como tem gente que escolhe não escolher! Que prefere permitir que os outros decidam sua vida. Que opta por se deixar influenciar por fatores externos ou por crenças que limitam suas atitudes.
Costumo dizer aos meus clientes de Coaching que eles têm que tentar antecipar as consequências de seus atos. Fácil não é, mas há meios para se chegar próximo de conseguir.
Racionalizar é um desses caminhos. Sei que muitas dessas escolhas têm que ser feitas em momentos de forte impacto emocional, mas é preciso racionalizar até as emoções.
Não, não é um jogo de palavras, tampouco loucura de minha mente inquieta. É possível, sim, e é essa uma das nossas principais buscas para manter o Ego-Sistema funcionando de modo saudável. Existem ferramentas que ajudam nesse sentido. Não é bem um exercício de futurologia, mas quase. É preciso trilhar na mente o caminho todo até o final. É necessário que se tenha raciocínio rápido – que é uma capacidade, portanto, pode ser treinada – para que estejamos preparados para decidir em curtos espaços de tempo. Repito, tudo isso pode ser treinado e alcançado.
Não existe um só dia em que não fiquemos diante de escolhas que irão alterar significativamente nosso futuro. Fazemos todas elas, muitas vezes, no “modo automático”, não é mesmo? É preciso assumir o comando, pensar exaustivamente o tempo todo. Cansa? Sim, cansa, mas aposto que as consequências serão bem melhores.

