Apesar de acharmos que o amor materno não nasce porque já existe, a chegada do bebê vai sacudir inúmeras crenças. É a mesma situação de quando, meninas, brincávamos de bonecas e imaginávamos situações românticas. Ao encontrar o parceiro, a realidade mostra como são complexas as relações e como precisam de tempo para se estabilizarem.
Relacionar-se é um processo, não um estado. O mesmo vale com o bebê, com a dificuldade de que ele não fala nossa linguagem e aciona mecanismos profundos, emocionais e sentimentais, com os quais precisamos aprender a lidar. Em quantas situações podemos ficar assustadas, sem saber o que está acontecendo? Imaginamos então desastres e perigos, muitas vezes infundados. Somos empurradas a tomar atitudes quando nem sempre temos clareza sobre o que é melhor fazer. Precisamos decidir rapidamente e agir, ou deixar de fazer e confiar na natureza.
O vínculo mãe-bebê começa desde a relação intra-uterina, mas se desenvolve de verdade durante mamadas, trocas de fraldas, decisões responsáveis, toques e olhares; mães e filhos vão se descobrindo, se conhecendo ao longo das horas, dias, meses e anos em que convivem. Parece então que o amor cresce, se fortifica, amadurece. O amor precisa de tempo para se tornar uma realidade sólida, verdadeiramente concreta. Mesmo para as melhores e mais resolvidas das mães, o amor pede um tempo para se tornar uma realidade efetiva.
Uma das primeiras formas de estabelecer o vínculo com o bebê é a amamentação, que é alimentação e relação, o que nesse início de vida sintetiza o que é “amor”. Outra forma é o toque: após o primeiro mês de vida, pode-se fazer Shantala e já no primeiro mês pode-se usar o Toque da Borboleta, suave e calmante.
Conversar e contar histórias, o que se faz, o que se pensa, o que se sente, cantar para ele, mesmo que o bebê não entenda racionalmente, é um bom começo de relação. O tom da voz, a qualidade da energia emanada pela mãe, faz a diferença. Quando contamos para alguém de forma honesta e tranquila o que está acontecendo, lhe transmitimos também uma energia confortadora e acolhedora. É esta que o bebê recebe. Não é necessário sempre distraí-lo fazendo brincadeiras e parodiando nossa voz e feição como se fôssemos palhacinhos de circo! Os bebês têm uma profunda seriedade para com a vida. O que eles estão vivendo é primordial, essencial e urgente. Importante. São graciosos, mas seriamente reais.
O vínculo com o bebê refletirá também quem a mãe é. É importante lembrar que uma relação é sempre algo de mão dupla. Cada um é um e os bebês já são indivíduos singulares e únicos desde o nascimento, aliás, desde o útero. Contudo, seu crescimento e modo de ser espelhará também a realidade da mãe, quem ela é, que tipo de pessoa e mulher ela é, suas crenças, seu estilo de vida e seus desejos (os ditos e assumidos e os escondidos). Para uma boa qualidade do vínculo mãe-bebê é preciso que o primeiro sujeito desse vínculo – a mãe – cuide de si mesma, detecte suas necessidades e procure aquilo que lhe faz bem e a possa ajudar. Isso é ser uma “boa mãe”.

