Depois de quase três meses longe de casa, o Dubai Basketball voltou a Dubai para as finais, venceu os dois jogos na Coca-Cola Arena e fechou o título da ABA League em Belgrado.
O título que transformou um grande projeto em realidade
Agora é oficial: o Dubai Basketball é campeão da ABA League 2025/26. O título veio com vitória por 83 a 81 sobre o Partizan, fora de casa, no Jogo 4 da final, fechando a série em 3 a 1 e entregando ao clube o primeiro grande troféu internacional de sua história. Em apenas sua segunda temporada de existência, o projeto deixou de ser promessa para virar conquista concreta.
Mais do que o resultado, o jeito como isso aconteceu diz muito sobre esse time. Dubai passou boa parte da temporada longe de casa e só voltou à Coca-Cola Arena para abrir a decisão, depois de cerca de três meses afastado. Esse retorno não foi detalhe. Foi um ponto de virada emocional. E a torcida respondeu do jeito que um clube novo sonha, mas raramente encontra tão cedo.
No Jogo 1, diante de quase 9.500 torcedores, Dubai venceu o Partizan por 99 a 93 e já mostrou que o ambiente em casa seria um fator real. O time abriu vantagem cedo, chegou a liderar por 18 pontos no terceiro quarto, sofreu a reação do atual campeão, mas respondeu com maturidade. Danan Musa terminou com 22 pontos, Mfiondu Kabengele somou 19 pontos e 8 rebotes, e McKinley Wright IV comandou o ataque com 19 pontos e 9 assistências. Foi uma vitória grande tecnicamente, mas também simbólica. Era a cidade recebendo seu time de volta no momento mais importante do ano.
Dois dias depois, a conexão entre time e torcida ficou ainda mais forte. No Jogo 2, o Dubai Basketball venceu por 86 a 81 diante de 11.952 fãs, o maior público da história do clube até aqui. O jogo foi duro, equilibrado e cheio de momentos de peso, mas Dubai fechou melhor. Aleksa Avramovi e Danan Musa marcaram 16 pontos cada, enquanto Kabengele acrescentou 13 pontos. Houve também aquela cesta quase impossível de Musa, por trás da tabela, que incendiou a arena e ajudou a transformar uma vantagem curta em controle emocional da partida. Não era só barulho. Era energia de final de verdade.
Se os dois jogos em Dubai empurraram o time, o fechamento da série em Belgrado mostrou personalidade de campeão. No Jogo 4, a partida ficou apertada do começo ao fim. Ninguém disparou no placar. Ninguém teve conforto. E exatamente por isso a vitória ficou ainda maior. Com o jogo empatado em 81 a 81 nos segundos finais, Aleksa Avramovi converteu os dois lances livres que colocaram Dubai na frente, e na última posse a defesa resistiu. A própria ABA League destacou Avramovi como o homem do jogo, e o site oficial da competição registrou o peso daqueles 15 segundos finais. No boxscore oficial, Davis Bertans apareceu como o principal pontuador de Dubai com 17 pontos, enquanto Kabengele liderou nos rebotes com 9 e Wright distribuiu 5 assistências. Foi uma vitória de execução, nervos e disciplina.
O mais bonito nessa conquista é que ela não nasceu só da final. Ela foi construída ao longo de uma temporada inteira. O clube terminou a campanha da ABA League na liderança e, segundo o próprio Dubai Basketball, fechou o percurso com 29 vitórias em 33 jogos, além de permanecer invicto em casa durante toda a temporada. Isso ajuda a explicar por que a volta à Coca-Cola Arena teve tanto peso. O mando não foi apenas geográfico. Foi emocional, técnico e competitivo.
E é impossível falar dessa campanha sem falar de Bruno Caboclo. O brasileiro chegou ao clube em janeiro, com contrato até o fim da temporada, trazendo tamanho, experiência e bagagem de alto nível europeu. Antes de Dubai, ele havia jogado 27 partidas de EuroLeague pelo Partizan em 2023/24, além de ter conquistado a EuroCup 2024/25 com o Hapoel Tel Aviv. Era, claramente, um reforço pensado para jogos grandes.
Para o torcedor brasileiro, o nome já é conhecido há tempo. Caboclo foi escolhido na 20ª posição do Draft de 2014 pelo Toronto Raptors e depois teve passagens pelos Sacramento Kings, Memphis Grizzlies e Houston Rockets. Na seleção brasileira, ele também vem sendo uma peça importante nos últimos ciclos. No Pré-Olímpico de Riga, que classificou o Brasil para Paris 2024, teve média de 17,8 pontos e 7,0 rebotes. Nos Jogos de Paris, manteve média de 17,3 pontos e 7,0 rebotes e explodiu com 33 pontos e 17 rebotes na vitória sobre o Japão. É um jogador com trajetória diferente, mas com talento e impacto reais.
Em Dubai, sua participação foi mais do que decorativa. Na vitória fora de casa sobre o Bayern de Munique por 87 a 74 na EuroLeague, Caboclo marcou 8 pontos no segundo quarto, incluindo duas bolas de três, ajudando a virar o jogo ainda antes do intervalo. Na grande vitória sobre o Real Madrid por 93 a 85, ele teve papel central no momento em que Dubai arrancou com uma sequência de 17 a 4 para mudar completamente a noite. E numa das atuações mais impressionantes do time na temporada, o clube atropelou o Crvena Zvezda por 114 a 91 na fase Top 8 da ABA League, em mais uma exibição que reforçou profundidade, talento e personalidade competitiva.
Mas o ponto principal continua sendo o coletivo. Esse título não pertence a um só nome. Pertence à organização que montou um elenco profundo, ao trabalho de Aleksander Sekuli, à comissão, ao staff e à capacidade do grupo de seguir unido mesmo longe de casa. O próprio técnico disse, após o título, que a temporada foi especial justamente porque o time passou um longo período jogando fora de Dubai, mas permaneceu unido até o fim.
No esporte, existem vitórias importantes. E existem vitórias que mudam patamar. Esta entra na segunda categoria. O Dubai Basketball não conquistou apenas um troféu. Conquistou legitimidade. Conquistou memória. Conquistou um lugar real no mapa do basquete internacional. E fez isso da maneira mais poderosa possível: voltando para casa, lotando a arena, sentindo o empurrão da cidade e depois tendo frieza para decidir a série fora. Para um clube tão novo, é difícil imaginar roteiro melhor. Para Dubai, é o tipo de conquista que fica.
