Dubai anunciou um ambicioso plano de expansão do seu principal polo financeiro, o Dubai International Financial Centre (DIFC), com projetos avaliados em mais de 100 bilhões de dirhams — cerca de US$ 27 bilhões. A iniciativa surge em meio ao forte aumento da presença de empresas estrangeiras na cidade, que tem pressionado a ocupação de escritórios e dificultado a disponibilidade de espaços para grandes companhias globais.
A expansão ocorrerá em uma área do outro lado da via em relação ao DIFC original, inaugurado em 2004. O novo trecho será chamado de DIFC Zabeel District e acrescentará 17,7 milhões de metros quadrados à área atual de 110 hectares. O projeto será concluído em seis fases, com previsão de finalização em 2040, segundo apresentação obtida pela Bloomberg.
O crescimento do DIFC ilustra a ascensão acelerada de Dubai como centro financeiro global. O complexo começou com apenas 19 empresas e 75 funcionários. No primeiro semestre do ano passado, já reunia mais de 7.700 companhias e cerca de 48 mil trabalhadores — um aumento de 9% no número de empregados no período.
Desde a pandemia, Dubai se consolidou como destino preferencial para grandes fortunas e empresas internacionais, beneficiado por um regime de baixa tributação e facilidade para abertura de negócios. Atualmente, o DIFC abriga mais de 100 fundos de hedge e quase 500 gestoras de patrimônio e ativos, incluindo gigantes como Millennium Management e State Street.
No entanto, a cidade enfrenta concorrência crescente. Abu Dhabi, com seu centro financeiro ADGM e acesso a US$ 1,8 trilhão em fundos soberanos, e Riad, na Arábia Saudita, com o fundo público de US$ 1 trilhão, também buscam atrair instituições financeiras internacionais.
A primeira fase do novo projeto terá valor estimado em 20 bilhões de dirhams e incluirá prédios comerciais e residenciais, um polo de inovação para startups, um campus de inteligência artificial, três edifícios para a DIFC Academy — voltada à educação executiva — e um pavilhão de artes. A expansão utilizará terrenos cedidos pelo governante de Dubai.
Atualmente, a taxa de ocupação de escritórios de alto padrão na cidade atinge 95,5%, segundo a consultoria Cushman & Wakefield. No novo distrito, 44% da área será destinada a escritórios e 35% a residências, com cerca de 4 mil apartamentos projetados para reduzir deslocamentos e estimular a atividade contínua no polo financeiro.
O DIFC Zabeel District será conectado ao DIFC atual e ao complexo Emirates Towers. Quando concluído, permitirá a expansão da capacidade do centro para até 42 mil empresas e acomodação de 125 mil trabalhadores.
O polo de inovação terá 1 milhão de pés quadrados dedicados a startups e integração com bancos e empresas. Já o campus de IA oferecerá espaço para pesquisa e desenvolvimento tecnológico, alinhado à estratégia dos Emirados Árabes Unidos de ampliar sua presença no setor.
A DIFC Academy também será significativamente ampliada, passando de 36,8 mil para 370 mil pés quadrados, abrigando cursos de universidades internacionais nas áreas de negócios, direito, finanças e sustentabilidade.
O projeto é considerado o maior investimento em infraestrutura em Dubai desde o início do desenvolvimento do aeroporto Al Maktoum International, em Jebel Ali.
Fonte: Gulf Times
