Orides Fontela é uma poeta universal. Muitas vezes, a gente perde a dimensão diante do anedotário que envolve a Orides. Eu queria só sintetizar que ela é frágil e forte. Ela é alucinada e lúcida. Ela não é um sim, nem um não, mas é um sim que traz o não no seio.
Com essas palavras, o crítico literário Augusto Massi descreveu Orides, de quem foi amigo e editor, para o auditório lotado durante a mesa de abertura da 24ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), na noite dessa quarta-feira (22), que teve a participação também da poeta Marília Garcia.
A poeta Orides Fontela é a homenageada do evento, que tem extensa programação cultural até domingo (26), em diversos espaços no centro histórico da cidade.Massi, que é crítico literário e professor de literatura brasileira na Universidade de São Paulo (USP), apresentou a trajetória literária da escritora, como se levasse o leitor pela mão como ele próprio definiu ao cruzar uma ponte, em uma travessia para o outro lado de um rio, onde o público pudesse chegar mais perto da poesia de Orides.
Na apresentação, ele destacou elementos que atravessam o trabalho da escritora, como a formação católica, a cultura greco-romana, os estudos em filosofia, até a experiência da poeta no zen budismo, quando há uma abertura às influências do Oriente.

