A temporada de furacões de 2026 no Atlântico chega ao seu pico climatológico nesta quinta-feira, mas segue em ritmo excepcionalmente baixo. Até agora, apenas cinco tempestades nomeadas se formaram na bacia do Atlântico, e nenhuma delas evoluiu para furacão.
Se o cenário continuar até o fim de semana, a temporada estabelecerá um novo recorde da era dos satélites para a formação mais tardia do primeiro furacão. O recorde atual é de 11 de setembro, alcançado em 2002 e 2013.
Além do baixo número de sistemas, outro indicador reforça o caráter incomum da temporada: a Energia Ciclônica Acumulada (ACE), que leva em consideração a duração e a intensidade das tempestades.
Até agora, o Atlântico registrou apenas 4,4 ACE, cerca de 7% do valor normalmente esperado para este momento da temporada. Em média, o acumulado chega a aproximadamente 58,2 ACE em meados de setembro.
Ar seco e ventos fortes dificultam formação de tempestades
As condições atmosféricas têm dificultado repetidamente o desenvolvimento de sistemas tropicais. Grandes volumes de ar seco vindo do Saara e o forte cisalhamento do vento — mudança na velocidade ou direção dos ventos em diferentes altitudes — têm impedido que as perturbações se organizem e ganhem força.
Mesmo quando algumas tempestades conseguem se formar, elas geralmente duram pouco. Muitos sistemas enfraquecem depois de apenas um ou dois dias, à medida que encontram condições ambientais desfavoráveis.
O cenário contrasta fortemente com temporadas recentes. Nesta mesma época de 2024, por exemplo, já haviam se formado seis tempestades nomeadas e quatro furacões, incluindo Beryl, que chegou à categoria 5. Naquele ano, a temporada terminou com 18 tempestades nomeadas, 11 furacões e cinco grandes furacões.
Em 2020, até 10 de setembro, já haviam se formado 17 tempestades e seis furacões.
Previsões ainda indicam possibilidade de novas tempestades
O comportamento da temporada chama atenção porque as previsões iniciais não indicavam necessariamente um período tão calmo.
A Universidade Estadual do Colorado ainda prevê nove tempestades nomeadas, quatro furacões e um grande furacão até o fim da temporada.
Já a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) estimou, em sua atualização do fim do verão, a formação de entre 7 e 13 tempestades nomeadas, 2 a 6 furacões e até 2 grandes furacões.
A maior parte da atividade prevista estava concentrada entre agosto e outubro. Agosto terminou com apenas três sistemas.
A NOAA considerou mais provável uma temporada abaixo da média, mas ainda não é possível determinar quão abaixo do esperado será o resultado final.
Temporada ainda pode ganhar força
Uma temporada tranquila no início não significa necessariamente que ela terminará da mesma maneira. Setembro costuma ser o mês mais ativo da temporada de furacões no Atlântico, e as condições atmosféricas podem mudar rapidamente.
Ainda existe tempo para a formação de novas tempestades entre meados de setembro e o fim de outubro. Mesmo assim, a tendência atual indica que 2026 provavelmente terminará abaixo da média histórica.
Esse período é especialmente importante para o sul da Flórida, que historicamente fica mais vulnerável aos impactos de sistemas tropicais entre setembro e outubro.
Por enquanto, porém, a temporada de 2026 já se destaca pela combinação de poucos sistemas, ACE muito abaixo da média e pela ausência de furacões até este ponto do ano.
Segundo a análise, esse comportamento está associado a um episódio de El Niño considerado “muito forte”, cuja ocorrência havia sido prevista com antecedência.
A temporada oficial de furacões no Atlântico termina em 30 de novembro.

