A temporada de furacões de 2026 no oceano Atlântico está entre as menos ativas já registradas, e um fator se destacou para explicar a baixa atividade: o intenso cisalhamento do vento (wind shear), especialmente no Caribe e no Atlântico tropical.
O fenômeno ocorre quando os ventos apresentam diferenças de velocidade ou direção em diferentes altitudes da atmosfera. Essas mudanças podem desorganizar tempestades em formação e impedir que sistemas tropicais ganhem força.
A temporada já era esperada como menos intensa desde antes de seu início, em 1º de junho. No entanto, a atividade ficou ainda abaixo das previsões mais pessimistas. Agosto e setembro, período tradicionalmente marcado pelo pico de formação de furacões, praticamente não registraram atividade significativa na região de Cabo Verde. Além disso, 2026 chegou a outubro sem nenhum furacão formado no Atlântico pela primeira vez desde o início dos registros confiáveis, em pelo menos 1950.
O primeiro furacão da temporada, Isaias, só se formou em 8 de outubro, quase um mês depois do recorde anterior de formação mais tardia do primeiro furacão. Até o momento, ele continua sendo o único da temporada. Caso esse cenário se mantenha, 2026 será a primeira temporada em pelo menos um século com apenas um furacão.
Apesar da baixa atividade geral, Isaias provocou danos bilionários na região norte do Golfo do México e no sudeste dos Estados Unidos.
Super El Niño intensificou os ventos
O principal fator por trás do cenário foi o Super El Niño de 2026, que se tornou o mais intenso já registrado até o outono no Hemisfério Norte, segundo a análise.
O fenômeno altera os padrões de circulação atmosférica e pode intensificar os ventos em grandes altitudes sobre o Atlântico. Isso aumenta o cisalhamento e cria condições desfavoráveis para o desenvolvimento de ciclones tropicais.
Em agosto e setembro, o cisalhamento médio do vento no Caribe chegou a 37 nós, muito acima dos 30 nós registrados em 1979, segundo maior valor do período comparável. A média histórica de 30 anos é de 25 nós.
A intensidade dos ventos foi tão elevada que, em alguns momentos, as condições se aproximaram das normalmente observadas durante o inverno, quando a formação de furacões é menos comum.
Outros fatores também contribuíram
Além do cisalhamento, outros elementos dificultaram a formação de tempestades. As ondas tropicais que avançaram da costa da África, responsáveis pela origem de muitos dos furacões mais fortes do Atlântico, tiveram desempenho abaixo do esperado.
O Super El Niño também alterou os padrões atmosféricos globais e enfraqueceu a corrente de ventos em altitude que contribui para a formação desses sistemas.
Outro fator foi a presença de ar descendente e de áreas de alta pressão sobre o Atlântico tropical. Essas condições reduziram a umidade e favoreceram um ambiente mais seco e estável justamente na faixa entre a África e o Caribe, onde normalmente se desenvolvem muitas tempestades.
Segundo a análise meteorológica, o Atlântico deve continuar apresentando condições pouco favoráveis à formação de sistemas tropicais nas próximas semanas, com a descida da corrente de jato em direção ao sul durante o inverno no Hemisfério Norte.
Fonte: Local 10

