A história de Thiago Novo começa como a de tantos brasileiros: com uma bola nos pés e sonhos que nascem nas ruas, quadras e campos improvisados. Natural de São Paulo, ele cresceu respirando futebol — um amor que, com o tempo, deixaria de ser apenas uma paixão de infância para se tornar um propósito de vida.
Hoje, há 15 anos vivendo nos Estados Unidos, Thiago construiu uma trajetória marcada por coragem, reinvenção e, principalmente, pela capacidade de transformar o esporte em ferramenta de impacto. Diretor de Futebol e atualmente à frente do projeto da CBF School no país, ele encontrou no ensino do futebol uma missão que vai muito além das quatro linhas.
Mas o caminho até aqui esteve longe de ser linear.
Ainda jovem, Thiago já demonstrava liderança. Capitão nas categorias de base de equipes como AABB, Palmeiras e Centro Olímpico, ele precisou assumir responsabilidades cedo: aos 14 anos, começou a trabalhar como treinador de goleiros para ajudar no sustento da família. A vivência precoce moldou não só o profissional, mas também os valores que levaria para a vida.
Antes de se consolidar no futebol, sua trajetória passou por diferentes áreas. Trabalhou por oito anos na Pfizer, no Brasil, e por quatro anos na SAP, já nos Estados Unidos. Também empreendeu no setor gastronômico, como sócio de uma churrascaria na Pensilvânia, e se tornou cofundador da Solo Snacks, indústria alimentícia no Brasil. Formado em Administração de Empresas e com MBA em Marketing pela Fundação Getulio Vargas (FGV), ele acumulou experiências diversas — mas foi no futebol que encontrou seu verdadeiro chamado.
A mudança para os Estados Unidos trouxe desafios que vão além da carreira. O primeiro ano foi o mais difícil. A adaptação à cultura, ao idioma, ao clima rigoroso e à saudade da vida no Brasil testaram seus limites. "Todos os imigrantes pensam em desistir todos os dias", admite. Ainda assim, a busca por segurança e melhores oportunidades falou mais alto.
Dois momentos marcaram profundamente sua trajetória. Um deles foi a decisão de não voltar a viver no Brasil, após um episódio de violência envolvendo um primo próximo. O outro veio durante a pandemia, quando decidiu, ao lado da família, vender a casa e o negócio na Pensilvânia para recomeçar na Flórida, em busca de qualidade de vida.
Foi justamente em Deerfield Beach que o destino deu um empurrão decisivo. Ao ver uma placa da CBF, Thiago enxergou uma oportunidade. Em menos de dez dias, já estava contratado para atuar como treinador e gestor. Desde então, não parou mais de crescer.
Seu trabalho ganhou ainda mais significado ao perceber que ensinar futebol ia além da técnica. "Eu precisava transformar aquele momento em uma experiência de vida", afirma. Hoje, ele lidera o projeto da CBF School nos Estados Unidos, ajudando crianças a se apaixonarem pelo esporte — muitas delas dando os primeiros passos em um ambiente estruturado e inspirador.
Ao longo da carreira, acumulou conquistas importantes, tanto como jogador quanto como treinador e gestor. Entre os destaques estão o vice-campeonato da Madrid Cup, na Espanha, o bicampeonato da Weston Cup e títulos relevantes no cenário estadual americano. Ainda assim, ele deixa claro: seu maior orgulho está na família — a esposa Anny e os filhos Sophie e Brandon.
É justamente a família, aliada à paixão pelo futebol, que o motiva diariamente. Para Thiago, sucesso hoje tem um significado simples, mas profundo: viver feliz, ao lado de quem ama, conhecendo o mundo e deixando um legado para as próximas gerações.
Esse legado já começou a ser construído. Seu maior sonho é, um dia, assistir no estádio a um jogador que ajudou a formar. E, se depender de sua dedicação, esse momento não está distante.
Para quem deseja trilhar um caminho fora do Brasil, ele deixa um conselho direto: é preciso se adaptar, respeitar a cultura local, aprender o idioma e, acima de tudo, persistir. "Não desista antes de completar um ano. Seu mental precisa de tempo para se adaptar", orienta.
Com o lema "ousadia e alegria", Thiago segue escrevendo sua história — uma jornada que prova que, quando propósito e paixão caminham juntos, o futebol pode ser muito mais do que um jogo. Pode ser transformação, conexão e futuro.

