Antes mesmo de entender que a televisão poderia fazer parte de sua vida, Lucas Leite Assimos já estava diante das câmeras. Nascido no Rio de Janeiro, ele entrou no universo artístico ainda bebê, levado pela mãe para trabalhos publicitários. O que começou como uma experiência da infância acabou se transformando em uma trajetória que passou por televisão, cinema, publicidade, música e, mais tarde, pelo mundo empresarial.
Aos 26 anos, Lucas vive em Orlando, na Flórida, onde está há nove anos. Olhando para trás, ele percebe que sua história nunca seguiu uma única direção — e é justamente nessa capacidade de mudar que encontra parte do significado de sua trajetória.
"Eu não posso dizer que escolhi começar no meio artístico. Foi uma escolha que começou com a minha mãe quando eu ainda era praticamente um bebê", conta.
Por ter começado tão cedo, o ambiente artístico se tornou algo natural. Durante a infância e a adolescência, Lucas acumulou experiências em diferentes produções brasileiras.
Entre elas está sua participação em "Sítio do Picapau Amarelo", onde interpretou o Anjo da Asa Quebrada em 2007. No ano seguinte, esteve no elenco do longa "O Guerreiro Didi e a Ninja Lili", no papel de Janelinha, ao lado de Renato Aragão.
A televisão também fez parte dessa fase. Lucas participou de produções da Globo, como "Guerra e Paz" e "Zorra Total", além de interpretar Marcolino criança em "Vidas em Jogo", da Record, em 2011.
A carreira ainda incluiu trabalhos publicitários, entre eles uma campanha da Nestlé e outra cuja imagem chegou a ser utilizada em mídia de metrô na França.
Mas a infância diante das câmeras não determinaria necessariamente o futuro.
Uma nova vida do outro lado do continente
Aos 17 anos, Lucas deixou o Brasil e embarcou para os Estados Unidos. A mudança representava mais do que uma viagem: era o começo de uma nova fase, distante da família, dos amigos e de tudo aquilo que conhecia.
Os primeiros anos foram, segundo ele, os mais difíceis.
"Acredito que muita gente que imigra vai se identificar com isso. Existe a distância da família, dos amigos, da cultura em que você cresceu e, ao mesmo tempo, você precisa aprender praticamente uma nova forma de viver", afirma.
A adaptação envolveu saudade, mudanças culturais e a construção de uma vida praticamente do zero. Mesmo tendo chegado aos Estados Unidos com boa parte do processo imigratório encaminhado, Lucas precisou enfrentar a realidade de começar novamente em outro país.
E foi nesse processo que sua trajetória profissional ganhou novos capítulos.
Ainda ligado ao entretenimento, ele passou a trabalhar como DJ, tocando em diferentes cidades americanas, como Nova York, New Jersey, Boston, Danbury, Miami, Fort Lauderdale, Orlando, Atlanta e Denver.
A experiência manteve sua conexão com o universo artístico, mas também ampliou sua visão sobre trabalho, público e negócios.
Com o tempo, porém, surgiu uma nova mudança de direção. Lucas começou a se dedicar mais à atividade empresarial.
Quando mudar de caminho deixa de ser recomeçar
A transição não aconteceu de uma hora para outra. Foram experiências acumuladas ao longo dos anos que fizeram Lucas repensar a maneira como enxergava sua atuação profissional.
No início de sua trajetória empresarial nos Estados Unidos, seu trabalho era muito direcionado à comunidade brasileira e a outros imigrantes. Algumas experiências positivas vieram acompanhadas também de situações frustrantes.
Ele conta que chegou a passar por situações em que pessoas tentaram tirar vantagem de outros imigrantes. A experiência, embora negativa, acabou produzindo uma mudança de perspectiva.
"Em vez de enxergar meu trabalho como algo direcionado apenas a brasileiros, comecei a enxergar pessoas simplesmente como pessoas e clientes simplesmente como clientes", explica.
Para ele, uma experiência ruim acabou produzindo um aprendizado importante: não limitar o próprio potencial ao ambiente em que começou.
Ele foi ator, trabalhou com publicidade, esteve no cinema e na televisão, tornou-se DJ nos Estados Unidos e hoje atua no mundo empresarial.
São caminhos diferentes, mas que, na visão de Lucas, não representam histórias desconectadas.
"Às vezes as pessoas acreditam que mudar de caminho significa que alguma coisa deu errado. Eu penso justamente o contrário. Saber se reinventar é uma das habilidades mais importantes que alguém pode ter", afirma.
O sucesso que não cabe apenas em números
Se antes conquistas poderiam estar associadas à carreira, ao reconhecimento ou ao crescimento financeiro, atualmente ele resume sua visão em uma palavra: paz.
"Você pode ter dinheiro, carros, empresas, reconhecimento e todas as coisas que normalmente associamos ao sucesso. Se não tiver paz, dificilmente vai aproveitar qualquer uma delas", diz.
A mudança de perspectiva também tem relação com a experiência de viver longe do Brasil.
Para um imigrante, algumas conquistas podem parecer pequenas para quem observa de fora, mas carregam um significado muito maior. Uma delas, para Lucas, é poder ligar para a mãe, que continua no Brasil, convidá-la para visitá-lo e ter condições de comprar uma passagem sem transformar o momento em uma preocupação financeira.
"Quem é imigrante sabe que uma das partes mais difíceis de viver fora é a distância das pessoas que você ama", afirma.
É por isso que, hoje, ele mede parte de sua evolução não apenas pelo que conquistou materialmente, mas pela liberdade de proporcionar momentos às pessoas que ama.
Uma criança que cresceu, mudou e continuou sonhando
Quando pensa no menino que começou a atuar ainda criança, Lucas não enxerga uma trajetória interrompida. Enxerga uma história que ganhou novos capítulos.
A fé também ocupa um espaço importante nessa caminhada. Nos momentos em que pensou em desistir, especialmente nos primeiros anos nos Estados Unidos, foi nela que encontrou força para continuar.
Ao comparar sua vida atual com a do garoto que chegou aos Estados Unidos nove anos atrás, percebe que muitos objetivos que pareciam distantes naquela época já fazem parte de sua realidade.
A história de Lucas Assimos começou diante das câmeras, quando ainda era criança. Passou pelo cinema, pela televisão, pela publicidade e pela música. Depois atravessou fronteiras e ganhou novos contornos nos Estados Unidos.
Talvez o mais importante, porém, seja que ela ainda não terminou. Porque, para Lucas, começar de novo não significa voltar para trás. Significa descobrir até onde ainda é possível chegar.

