O aumento da fila para vistos de trabalho nos Estados Unidos levou a uma disparada nos pedidos do EB-1A, conhecido como “visto Einstein”, destinado a profissionais com habilidades extraordinárias. Com isso, também cresceu um mercado paralelo de serviços que prometem inflar currículos — em alguns casos com práticas que podem configurar fraude, segundo investigação da CBS News.
Candidatos, sobretudo das áreas de ciência e tecnologia, recorrem a consultores e intermediários que vendem autoria de artigos acadêmicos, citações artificiais e prêmios de prestígio duvidoso, por valores que podem chegar a milhares de dólares. Ex-funcionários do Serviço de Cidadania e Imigração dos EUA (USCIS) afirmam que a agência já identificou um aumento de pedidos com credenciais compradas ou falsas.
Dados oficiais mostram que os pedidos do EB-1A triplicaram nos últimos quatro anos, enquanto a taxa de aprovação caiu. Para se qualificar, o candidato precisa cumprir ao menos três de dez critérios, como prêmios, publicações acadêmicas ou filiação a associações profissionais — requisitos que impulsionaram a proliferação de “serviços de construção de perfil”.
A investigação identificou anúncios em redes sociais oferecendo inclusão como autor em artigos científicos, aumento de citações e até prêmios considerados “de vaidade”. Alguns intermediários admitem que clientes não precisam contribuir com a pesquisa. Especialistas alertam que parte desse material é publicada em revistas predatórias ou até em periódicos respeitáveis infiltrados por editores mal-intencionados.
Empresas que oferecem programas de mentoria e “transformação profissional” negam vender credenciais falsas, mas ex-participantes relatam frustração e suspeitas de práticas enganosas. Enquanto isso, o USCIS promete endurecer a fiscalização, revisar regras do EB-1A e ampliar investigações, inclusive reavaliando vistos já concedidos.
Fonte: CBS

