Um ex-instrutor do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos Estados Unidos (ICE) afirmou ao Congresso que a agência está formando novos agentes sem o treinamento adequado para atuar dentro da lei. Segundo ele, a pressa para ampliar o quadro de funcionários pode comprometer a preparação dos recrutas.
Ryan Schwank, advogado e ex-funcionário de carreira do ICE, disse durante audiência organizada por parlamentares democratas que o programa básico de treinamento da agência está “deficiente, defeituoso e quebrado”. Ele pediu demissão em 13 de fevereiro, segundo assessores do Congresso, em protesto contra as mudanças implementadas.
“Sem reformas, o ICE vai formar milhares de novos oficiais que não conhecem seu dever constitucional, não sabem os limites de sua autoridade e não têm treinamento para reconhecer uma ordem ilegal”, afirmou.
Redução no treinamento
Documentos internos obtidos pela CBS News e compartilhados com o Congresso mostram que, entre julho de 2025 e fevereiro de 2026, o curso de formação foi reduzido de 72 para 42 dias. Segundo análise de assessores democratas, parte das aulas sobre uso da força foi retirada, assim como avaliações relacionadas a protocolos operacionais e treinamento com armas de fogo.
Schwank afirmou que foram cortadas 16 horas de treinamento com armas e que aulas sobre direitos constitucionais — incluindo orientações sobre os direitos de manifestantes — foram drasticamente reduzidas.
O Departamento de Segurança Interna (DHS), que supervisiona o ICE, negou que conteúdos tenham sido eliminados. Em nota, afirmou que o treinamento foi “otimizado” para reduzir redundâncias e incorporar avanços tecnológicos, sem comprometer padrões ou disciplinas essenciais.
Pressão por mais agentes
A audiência ocorre em meio a críticas após incidentes envolvendo uso letal da força por agentes federais. O governo anunciou a contratação de 10 mil novos oficiais, com expectativa de que cerca de 4 mil concluam o treinamento até setembro.
Dados internos obtidos pela CBS indicam que, no último ano, o ICE realizou quase 400 mil prisões — média de cerca de mil por dia. Aproximadamente 60% dos detidos tinham acusações ou condenações criminais, enquanto 40% não possuíam antecedentes além de infrações migratórias civis.
Schwank já havia apresentado denúncia anterior ao Congresso, alegando que diretrizes recentes flexibilizaram regras sobre entrada em residências sem mandado judicial — prática contestada por especialistas jurídicos.
O debate sobre a atuação do ICE e seus métodos de treinamento deve intensificar o embate político em torno do financiamento e da supervisão da agência.
Fonte: CBS

