Uma nova regra do Departamento de Transportes dos Estados Unidos entrou em vigor nesta segunda-feira (16) e pode afetar cerca de 200 mil caminhoneiros imigrantes no país. A medida determina que determinados grupos de imigrantes não poderão renovar suas licenças comerciais de condução (CDL), documento necessário para operar caminhões de carga.
Pela nova política, solicitantes de asilo, refugiados e beneficiários do programa DACA — que protege da deportação imigrantes que chegaram aos EUA ainda crianças — não poderão obter novas licenças comerciais nem renovar as que já possuem quando expirarem.
As licenças atuais não serão canceladas imediatamente, mas os motoristas perderão o direito de dirigir profissionalmente assim que o documento vencer.
A decisão gerou preocupação na indústria de transporte rodoviário e levou motoristas e organizações de defesa dos imigrantes a entrar com ações judiciais para tentar bloquear a regra.
O setor de transporte é considerado essencial para a economia americana. Caminhões movimentam mais de 70% das cargas no país, incluindo alimentos, equipamentos industriais e materiais perigosos.
Representantes do setor alertam que a possível saída de milhares de motoristas das estradas pode reduzir a oferta de profissionais disponíveis, pressionar empresas de transporte e, consequentemente, elevar os custos logísticos — o que pode refletir no preço final de produtos para consumidores.
A indústria já enfrenta desafios como aumento nos custos de energia, alta rotatividade de motoristas e pressões na cadeia de suprimentos.
Autoridades federais que apoiam a medida afirmam que o objetivo é reforçar a segurança nas estradas. O secretário de Transportes, Sean Duffy, argumenta que a política ajudará a endurecer os critérios de concessão de licenças para motoristas cujas credenciais, segundo ele, não teriam sido avaliadas de forma adequada no passado.
Críticos, porém, dizem que a regra atinge imigrantes de forma desproporcional sem evidências de que eles sejam motoristas menos seguros. Eles ressaltam que todos os caminhoneiros, independentemente da origem, precisam frequentar escolas de direção e passar pelos mesmos exames para obter a licença.
Em alguns estados, a disputa continua na Justiça. Na Califórnia, um tribunal decidiu preliminarmente que mais de 20 mil caminhoneiros imigrantes poderão manter temporariamente suas licenças enquanto o processo judicial segue em andamento.
Especialistas avaliam que o impacto da medida pode não ser imediato, mas, se mantida, a regra poderá reduzir gradualmente a força de trabalho no setor e contribuir para o aumento dos custos de transporte e de mercadorias no país.
Fonte: The Washinton Post

