O brasileiro Emmanuel da Silva, residente em Newark, no estado de Nova Jersey, foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) enquanto se recuperava de um quadro de paralisia, e seu caso tem gerado denúncias de negligência médica dentro do sistema de detenção.
Segundo relatos da esposa, Juliana Ferreira da Silva, Emmanuel sofreu uma paralisia há cerca de dois anos, o que mudou drasticamente sua vida — de mestre de kung fu à dependência de cadeira de rodas para locomoção. Apesar de ter recuperado parcialmente os movimentos, ele ainda necessita de assistência constante.
A detenção ocorreu há cerca de três meses. De acordo com a família, no momento da abordagem, agentes não permitiram que ele levasse suas muletas, deixando-o em situação de vulnerabilidade. Ainda segundo o relato, ele foi obrigado a se locomover sem o suporte necessário.
Desde então, a família afirma que Emmanuel não tem recebido atendimento médico adequado dentro do centro de detenção. Há denúncias de que ele foi forçado a caminhar longas distâncias, mesmo com limitações físicas, o que teria contribuído para a piora de seu estado de saúde.
Em uma das últimas videoconferências com a esposa, foi possível notar sinais de deterioração física. Pouco tempo depois, ele precisou ser hospitalizado pela terceira vez após sofrer uma queda e desmaiar.
Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes acompanham o caso e afirmam que situações semelhantes não são isoladas. Integrantes do Movimento Cosecha apontam que denúncias de negligência médica em centros de detenção do ICE envolvem pacientes com doenças graves, como câncer e HIV, além de pessoas com deficiência.
A família de Emmanuel entrou com um pedido de habeas corpus na Justiça americana, buscando sua liberação. “O estado dele só piora. Tenho muito medo pela vida dele”, afirmou a esposa.
Até o momento, o ICE não se pronunciou oficialmente sobre as acusações.
Fonte: Univision

