A brasileira Vivian Oliveira, de 29 anos, ganhou repercussão nacional após denunciar abusos sofridos durante os 213 dias em que ficou presa em centros de detenção migratória nos Estados Unidos. Em depoimento que viralizou nas redes sociais, ela afirmou ter vivido e presenciado episódios de violência física, abuso sexual e negligência médica enquanto aguardava a regularização de sua situação no país.
“Às vezes a gente pede desculpas por estar apanhando”, disse Vivian ao resumir sua experiência. Segundo ela, apesar de possuir documentação em andamento, foi detida ao retornar aos EUA e só deixou a prisão após ser deportada.
Durante o período, Vivian afirma que dividiu cela com dezenas de mulheres de diferentes nacionalidades e enfrentou condições degradantes, como privação de sono, falta de acesso a medicamentos e água potável, além de episódios de sedação forçada. Ela também relatou agressões graves contra outras detentas, incluindo uma mulher que teria tido as pernas quebradas por uma agente.
A brasileira afirma ainda ter sido vítima de abuso sexual por parte de agentes penitenciários e relata que, após confrontar uma policial, foi punida com isolamento em uma cela de vidro, onde permaneceu nua por sete dias, exposta à observação de outras pessoas.
Outro ponto destacado é a suposta negligência médica. Vivian contou o caso de uma detenta com câncer que não teria recebido tratamento adequado e acabou deportada em estado terminal.
O depoimento foi apresentado em uma audiência pública na Câmara Municipal de Governador Valadares (MG), cidade natal da brasileira, e deve voltar a ser tema de discussão em novos eventos sobre direitos de migrantes.
Após retornar ao Brasil, Vivian diz que encontrou acolhimento e apoio das autoridades brasileiras. Ela mantém contato com outras ex-detentas e afirma que pretende continuar denunciando o que descreve como violações sistemáticas contra imigrantes.
Fonte: ICL Notícias

