Imigrantes e seus familiares nos Estados Unidos estão sendo alvo de uma onda crescente de golpes envolvendo falsos advogados, audiências simuladas e até tribunais fictícios. Segundo autoridades e especialistas, os criminosos têm se aproveitado do endurecimento das políticas migratórias para explorar pessoas em situação de vulnerabilidade.
Um dos casos é o de Edith, uma jovem de 20 anos de origem guatemalteca, cidadã americana, que vive com o filho pequeno. Ela contou à ABC News que perdeu todas as economias após contratar, pelas redes sociais, uma suposta advogada para ajudar seu marido, Dimas, detido por imigração em março.
Após a prisão do marido, enviado a um centro de detenção na Geórgia, Edith buscou ajuda online e foi indicada a uma mulher que se apresentava como advogada na Flórida. A suposta profissional alegou que seria necessário entrar com um pedido judicial para libertar Dimas e passou a solicitar pagamentos sucessivos.
“Ela começou a pedir dinheiro: US$ 500, US$ 600, US$ 1.750, US$ 4 mil para fiança, petições e documentos”, relatou Edith.
A jovem chegou a receber papéis que pareciam oficiais, supostamente emitidos por órgãos federais de imigração. No entanto, a fraude veio à tona quando a falsa advogada não compareceu a uma audiência virtual. O juiz informou que ela não estava registrada no sistema judicial.
Ao confrontar a golpista, Edith descobriu que havia perdido mais de US$ 10 mil — todas as suas economias. Sem recursos para contratar um advogado legítimo, seu marido acabou tendo a deportação decretada.
Segundo especialistas, casos como esse têm se multiplicado. O advogado de imigração Jorge Rivera afirma que o problema se tornou uma “indústria bilionária”, com criminosos utilizando até inteligência artificial para simular audiências, vestindo trajes de juízes ou agentes e criando documentos falsificados.
Investigações recentes apontam esquemas sofisticados em diferentes estados. Em Nova York, cinco pessoas foram acusadas de realizar “audiências falsas” de imigração, o que levou uma vítima a perder sua audiência real e ser deportada. Já na Flórida, quatro indivíduos foram denunciados por montar um escritório jurídico fictício e extorquir milhões de dólares.
Autoridades alertam que golpistas também se passam por agentes do governo, como o ICE e o USCIS, para obter dinheiro ou dados pessoais. O Departamento de Segurança Interna reforça que órgãos oficiais não solicitam pagamentos inesperados nem aceitam métodos como cartões-presente ou criptomoedas.
Organizações de apoio a imigrantes também relatam aumento nas fraudes. Segundo a Catholic Charities, criminosos têm usado o nome de instituições legítimas para oferecer serviços falsos com senso de urgência, enganando vítimas em busca de ajuda.
Especialistas apontam que o cenário atual — com menos caminhos legais para regularização e maior número de negativas — cria um ambiente propício para esse tipo de crime. “É a tempestade perfeita para criminosos”, afirma Rivera.
No caso de Edith, o desfecho é incerto. Seu marido permanece sob custódia aguardando deportação para a Guatemala, e ela considera deixar os Estados Unidos para permanecer com ele.
“É algo muito duro. Não desejo isso a ninguém, especialmente a quem está sozinho e sem apoio”, disse.
Fonte: ABC

