O procurador-geral interino dos Estados Unidos, Todd Blanche, afirmou nesta quarta-feira que o governo Donald Trump pretende ampliar os esforços para retirar a cidadania de imigrantes naturalizados que tenham obtido o status de forma fraudulenta.
Em entrevista à CBS News, em Phoenix, Blanche declarou que “muitas” pessoas atualmente naturalizadas “não deveriam ser cidadãs” e disse que quem conseguiu a cidadania por meios ilegais deve estar preocupado.
“Se você veio para este país e se tornou cidadão por fraude ou de maneira ilegal, então deveria se preocupar”, afirmou.
Questionado sobre quais grupos estão sendo alvo da campanha de desnacionalização, Blanche respondeu que o governo não está limitando as investigações a categorias específicas.
“Não estamos nos limitando a ninguém em particular, mas infelizmente há muitas pessoas que são cidadãs e não deveriam ser”, declarou. Segundo ele, novos detalhes sobre as ações devem ser divulgados nas próximas semanas.
O procurador não informou quantos cidadãos naturalizados podem perder a cidadania no contexto da nova ofensiva, que faz parte de uma política mais ampla do governo Trump de aumentar o controle sobre imigrantes legais.
Embora a maior parte do sistema migratório americano seja administrada pelo Departamento de Segurança Interna, cabe ao Departamento de Justiça conduzir processos de revogação de cidadania.
O procedimento é considerado raro e juridicamente complexo. Para retirar a cidadania de alguém, o governo precisa convencer tribunais federais de que a naturalização foi obtida de forma fraudulenta, como por meio de mentiras em formulários oficiais.
Entre 1990 e 2017, pouco mais de 300 processos desse tipo foram abertos nos Estados Unidos, uma média de cerca de 11 casos por ano.
Historicamente, a revogação de cidadania foi usada em situações consideradas graves, envolvendo pessoas acusadas de crimes violentos, violações de direitos humanos ou ameaças à segurança nacional.
No entanto, no ano passado, o Departamento de Justiça divulgou um memorando orientando autoridades a priorizar categorias mais amplas de cidadãos naturalizados, incluindo indivíduos investigados por fraudes financeiras.
As medidas têm gerado preocupação entre cidadãos naturalizados, grupo que somava cerca de 24 milhões de pessoas nos EUA em 2023.
Ao comentar essas críticas, Blanche minimizou os receios e afirmou que pessoas que obtiveram a cidadania legalmente não teriam motivo para preocupação.
“Não acredito que os 24 milhões de cidadãos naturalizados estejam preocupados. Acho que existe uma parcela muito pequena que está preocupada. E, sim, essas pessoas deveriam estar”, disse.
O procurador afirmou ainda que não entende por que a campanha gera controvérsia.
“Não devemos tolerar fraude. Não devemos tolerar mentiras”, declarou.
Apesar de reconhecer que retirar a cidadania de alguém é uma consequência “drástica”, Blanche argumentou que obter a naturalização por meio de fraude também é uma ação grave. Ele destacou ainda que os alvos das ações têm direito de contestar judicialmente os processos.
Fonte: CBS

