A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira um pacote de US$ 70 bilhões destinado ao financiamento das agências federais de imigração até o fim do atual mandato do presidente Donald Trump.
A medida encerra meses de impasse no Congresso envolvendo recursos para o ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) e para a Patrulha de Fronteira.
O projeto foi aprovado por uma margem apertada de 214 votos a 212. O Senado já havia dado sinal verde à proposta na última sexta-feira. Agora, o texto segue para a sanção presidencial.
Republicanos comemoram garantia de recursos até 2029
Após a votação, o presidente da Câmara, Mike Johnson, afirmou que o pacote garante estabilidade financeira para as políticas migratórias da administração Trump pelos próximos três anos.
“Agora temos três anos completos de financiamento”, declarou o republicano da Louisiana. “Retiramos dos democratas a capacidade de cortar, bloquear ou usar esse financiamento como moeda de negociação durante o restante do governo Trump.”
Os republicanos utilizaram o mecanismo de reconciliação orçamentária para aprovar o projeto, estratégia que permite a aprovação de determinadas medidas fiscais no Senado com maioria simples, evitando a necessidade de votos democratas para superar a barreira tradicional de 60 votos.
Projeto enfrentou resistência até dentro do Partido Republicano
O plano deveria ter sido aprovado antes do Memorial Day, no fim de maio, mas enfrentou atrasos após pedidos adicionais feitos pela Casa Branca.
Entre eles estavam:
- US$ 1 bilhão para a construção de um grande salão de eventos na Casa Branca;
- criação de um fundo de quase US$ 1,8 bilhão no Departamento de Justiça para indenizar pessoas que alegassem perseguição política.
As propostas provocaram resistência até entre republicanos, forçando o adiamento das votações no Senado.
Posteriormente:
- o financiamento para a segurança do novo salão foi retirado do texto;
- o Departamento de Justiça anunciou que abandonaria o chamado “fundo contra instrumentalização política”.
Mesmo assim, democratas e alguns parlamentares moderados continuaram criticando o projeto.
Votação teve tensão nos bastidores
Na Câmara, líderes republicanos precisaram negociar intensamente com membros da ala conservadora House Freedom Caucus para garantir votos suficientes.
Uma votação processual que deveria durar cinco minutos permaneceu aberta por cerca de meia hora enquanto o partido buscava apoio interno.
Na votação final, o deputado republicano Tim Walberg, de Michigan, chegou inicialmente a votar contra o projeto, empatando temporariamente o placar, mas mudou seu voto pouco antes do encerramento.
O deputado independente Kevin Kiley, da Califórnia — que costuma votar com os republicanos — foi o único aliado do partido a votar contra o texto. Ele afirmou ter preocupações com a falta de negociações bipartidárias e defendeu reformas mais amplas nas políticas de fiscalização imigratória.
Democratas criticam ausência de reformas
Os democratas vinham se recusando a apoiar novos recursos para o ICE e para a Patrulha de Fronteira sem mudanças estruturais nas políticas migratórias e nos mecanismos de fiscalização interna.
Apesar da oposição democrata, os republicanos conseguiram aprovar o pacote exclusivamente com apoio do partido.
Fonte: CBS

