O governo dos Estados Unidos afirmou que o árbitro somali Omar Artan, impedido de entrar no país para atuar na Copa do Mundo de 2026, mantinha contato com “pessoas muito perigosas” pouco antes de viajar para o torneio.
A declaração foi feita por Andrew Giuliani, diretor executivo da força-tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo e filho do ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani.
Em entrevista à CBS News, Giuliani defendeu a decisão das autoridades americanas de negar a entrada do árbitro, um dos apenas 52 profissionais escolhidos pela FIFA para trabalhar no Mundial sediado por Estados Unidos, México e Canadá.
“No caso do árbitro, ele estava falando com algumas pessoas muito perigosas quando estava vindo para os Estados Unidos. Há informações sigilosas que não podemos divulgar neste momento”, afirmou Giuliani.
Apesar das acusações, o governo norte-americano ainda não apresentou publicamente evidências que sustentem as alegações.
FIFA havia selecionado árbitro após anos de avaliação
Artan, de 34 anos, é considerado um dos principais árbitros africanos da atualidade e foi eleito o melhor árbitro masculino da África em 2025.
Segundo autoridades americanas, agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) identificaram “informações desfavoráveis” durante a triagem realizada no Aeroporto Internacional de Miami. Entre elas estariam supostas associações com indivíduos suspeitos de integrar organizações terroristas.
O árbitro afirma que havia cumprido todas as exigências para obter o visto de entrada nos Estados Unidos.
A FIFA informou que não participa dos processos de imigração e que a decisão final sobre quem pode entrar em um país anfitrião cabe exclusivamente ao governo local.
A entidade também destacou que os árbitros selecionados passaram por um processo de avaliação e monitoramento que durou cerca de três anos.
UEFA escolhe Artan para decisão europeia
Poucos dias após ser barrado nos Estados Unidos, Artan recebeu uma demonstração de apoio do futebol europeu.
A UEFA anunciou sua nomeação para apitar a Supercopa da Europa, partida que colocará frente a frente o Paris Saint-Germain, da França, e o Aston Villa, da Inglaterra.
O presidente da UEFA, Aleksander eferin, afirmou que a escolha representa uma forma de reconhecimento à qualidade técnica do árbitro.
“O futebol foi criado para unir pessoas e a UEFA quer demonstrar respeito por Omar e por suas excelentes habilidades de arbitragem”, declarou.
Árbitro receberá pagamento integral da Copa
Mesmo sem participar da competição, Artan receberá o valor integral que teria direito por sua atuação na Copa do Mundo.
A informação foi confirmada à Associated Press por uma fonte com conhecimento do caso. O valor exato será definido após o encerramento do torneio.
Após retornar à Somália, o árbitro foi recebido com homenagens e afirmou que pretende participar da próxima edição da Copa do Mundo, prevista para 2030 e que terá partidas disputadas em Marrocos, Espanha e Portugal.
Outras restrições migratórias durante a Copa
Durante a entrevista, Giuliani também revelou que alguns jogadores e integrantes de delegações foram submetidos a inspeções adicionais ao chegarem aos Estados Unidos.
Segundo ele, todos os atletas conseguiram entrar no país até o momento, embora alguns tenham sido retidos por algumas horas para verificação de informações.
O governo confirmou ainda que certos dirigentes da seleção do Irã tiveram seus pedidos de entrada negados, o que levou a equipe iraniana a transferir seu centro de treinamento dos Estados Unidos para o México.
Além disso, agentes do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas) participam da segurança do Mundial, medida que gerou críticas de grupos de direitos civis e de parte dos torcedores.
Fonte: CBS/ABC

