A governadora do Maine, Janet Mills, pediu ao Congresso dos Estados Unidos uma reforma profunda no Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE) — ou até mesmo sua extinção — após a morte do colombiano Johan Sebastián Guerrero, de 26 anos, durante uma abordagem de trânsito realizada por agentes federais na cidade de Biddeford.
Em carta enviada à delegação do estado no Congresso, Mills afirmou que a violência envolvendo operações do ICE precisa acabar para evitar novas tragédias.
"Antes que mais famílias percam um ente querido, isso precisa acabar. O ICE precisa ser fundamentalmente reformado e, se isso não acontecer, é hora de extingui-lo", escreveu a governadora.
O caso ocorre em meio à decisão do presidente Donald Trump de revogar uma suspensão temporária das abordagens de trânsito feitas por agentes do ICE. A pausa havia sido determinada um dia antes pelo secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, mas foi revertida pelo presidente, que classificou esse tipo de fiscalização como uma das ferramentas mais importantes no combate ao crime.
Segundo o senador Angus King, do Maine, Guerrero não era o alvo da operação. O colombiano dirigia um veículo quando agentes tentaram realizar a abordagem. De acordo com autoridades, ele teria usado o carro de forma considerada ameaçadora pelos agentes, que efetuaram os disparos fatais. Nenhum dos agentes envolvidos utilizava câmeras corporais.
Um vídeo obtido pela ABC News mostra gritos momentos antes dos disparos. Nas imagens, é possível ouvir uma pessoa gritando "para trás" antes de cinco tiros serem disparados. Uma mulher que caminhava pela calçada aparece correndo após os disparos.
Guerrero era casado, pai de uma criança de três anos e possuía autorização para trabalhar nos Estados Unidos desde maio de 2025. O Departamento de Segurança Interna (DHS) informou, porém, que a autorização de trabalho não lhe concedia status legal permanente no país.
A morte é a terceira envolvendo imigrantes durante abordagens de trânsito feitas por agentes federais em pouco mais de uma semana. Na terça-feira, um cidadão mexicano morreu atropelado por um caminhão após fugir de uma abordagem na Flórida. No início do mês, outro mexicano foi morto a tiros por um agente do ICE durante uma operação em Houston.
A família de Guerrero cobra esclarecimentos sobre o caso. A irmã da vítima afirmou à emissora colombiana RCN que ele era um trabalhador dedicado e nunca teve problemas com a Justiça.
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, classificou a morte como um homicídio e pediu uma resposta rápida das autoridades colombianas para que os responsáveis sejam responsabilizados.
O FBI conduz a investigação sobre o caso. Organizações de defesa dos direitos dos imigrantes também pedem uma apuração independente e transparente, além da divulgação de todas as comunicações e registros relacionados à operação. O Consulado da Colômbia em Washington informou que presta assistência à família e solicitou esclarecimentos formais ao governo americano.
Fonte: ABC

