O mexicano Juan Jairo Coronilla Duran, de 28 anos, que morreu atropelado por um caminhão ao fugir de agentes federais de imigração em St. Augustine, na Flórida, estava nos Estados Unidos como turista, com visto válido, segundo informou a organização sem fins lucrativos Colectivo Árbol, que presta assistência à família da vítima. As autoridades americanas ainda não confirmaram oficialmente sua identidade.
Natural da cidade de San Luis de la Paz, no estado mexicano de Guanajuato, Coronilla havia chegado aos Estados Unidos há cerca de três semanas para passar férias e estava na Flórida havia apenas dois dias quando o acidente aconteceu, em 14 de julho.
De acordo com Isaret Jeffers, representante da organização, o mexicano já tinha passagem comprada para retornar ao país no sábado seguinte ao acidente.
"Ele voltaria para casa neste sábado. Já tinha comprado a passagem. Infelizmente, agora esse retorno será de outra forma", lamentou Jeffers.
Coronilla deixa a esposa, Jessica Alamilla, com quem era casado havia 10 anos, além de uma filha de sete meses e um filho de sete anos. O casal administrava um pequeno negócio em Guanajuato.
Segundo Jeffers, Jessica descobriu a morte do marido ao assistir a uma reportagem na televisão. Sem conseguir contato com ele por mais de um dia, temeu que a vítima fosse seu esposo. Ela viajou para a Flórida na última sexta-feira para providenciar a liberação e o traslado do corpo ao México, com apoio do consulado mexicano.
Testemunha relata perseguição
O motorista de caminhão Jose Rivera, que presenciou o ocorrido, contou ao jornal *Miami Herald* que viu Coronilla sair correndo de um posto de gasolina em frente a uma loja da rede Wawa pouco antes das 7h da manhã.
Segundo ele, veículos utilitários esportivos azuis, sem identificação e com vidros escuros, cercavam outro carro no local. Um deles passou a seguir o mexicano enquanto agentes, vestidos com uniformes verdes, iniciavam a abordagem.
Rivera afirmou que Coronilla atravessou correndo a rodovia, chegou ao canteiro central, escorregou, levantou-se e voltou a correr sem perceber a aproximação de um caminhão.
"Ele continuava olhando para trás. O trânsito vinha rápido e ele perdeu o equilíbrio. Caiu bem na frente da carreta", relatou.
O motorista disse que os agentes aparentemente não perceberam imediatamente o atropelamento e chegaram a apontar para uma área de mata, acreditando que o homem havia conseguido fugir.
"Foi um momento devastador. Tenho filhos da idade dele", afirmou Rivera.
Caso amplia pressão sobre ações do ICE
A Patrulha Rodoviária da Flórida informou anteriormente que Coronilla fugia de uma abordagem realizada por agentes do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega (ICE) e do Homeland Security Investigations (HSI).
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou apenas que o caso segue sob investigação e que novas informações serão divulgadas quando disponíveis.
A morte de Coronilla foi a terceira registrada em uma semana após ações envolvendo agentes federais de imigração. Dias antes, o mexicano Lorenzo Salgado Araujo, em Houston, e o colombiano Johan Sebastián Guerrero, no estado do Maine, também morreram durante operações do ICE. Segundo autoridades, nenhum dos dois era o alvo principal das ações.
O episódio ocorre em meio ao endurecimento das operações migratórias promovidas pelo governo Trump. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, informou que seu governo abriu investigações sobre as mortes de pelo menos 18 cidadãos mexicanos desde o início da atual administração americana, incluindo casos ocorridos durante prisões e em centros de detenção migratória.
Em nota, Sheinbaum afirmou que o governo mexicano pretende buscar responsabilização nos casos em que houver indícios de abuso de autoridade ou violação de direitos humanos.
Enquanto isso, organizações de apoio a imigrantes afirmam que o clima de medo tem levado muitas famílias a evitarem atividades rotineiras, como fazer compras ou levar os filhos ao parque, receosas de serem abordadas por agentes de imigração.
Fonte: Miami Herald

