As detenções realizadas pelo Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) atingiram um novo recorde mensal durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.
Segundo dados internos da agência obtidos pela CBS News, mais de 46 mil pessoas foram colocadas sob custódia do ICE em julho por supostas violações migratórias, como entrada irregular no país ou permanência além do prazo autorizado pelo visto.
Os números, ainda não divulgados oficialmente pelo governo federal, indicam que a ofensiva migratória de verão continuou crescendo, enquanto a Casa Branca pressiona a agência a alcançar uma meta de 2 mil prisões por dia.
Em média, cerca de 1.500 pessoas foram encaminhadas diariamente para a custódia do ICE em julho. Algumas delas haviam sido inicialmente detidas por agentes da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP).
Número supera recorde anterior
As mais de 46 mil detenções registradas em julho superaram as aproximadamente 43 mil realizadas em junho, que até então representavam o maior volume do segundo mandato de Trump.
Atualmente, o sistema de detenção do ICE abriga cerca de 68 mil pessoas, próximo do recorde de mais de 70 mil detentos registrado em janeiro, segundo dados internos da agência.
Os números mostram uma retomada das operações após uma queda significativa nas prisões no início do ano, depois que agentes federais mataram dois cidadãos americanos durante operações em Minneapolis — casos que provocaram críticas de diferentes setores políticos.
Estratégia mudou, mas fiscalização aumentou
Embora o governo Trump tenha reduzido grandes operações públicas realizadas em cidades governadas por democratas no ano passado, o ICE aumentou as prisões de forma mais discreta nas últimas semanas.
Entre as novas estratégias estão ações em aeroportos, abordagens de trânsito e a distribuição de novos agentes contratados pelo governo.
O secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, substituiu Kristi Noem no cargo nesta primavera com a promessa de reduzir a exposição pública das operações do ICE, mas mantendo o objetivo de realizar a maior operação de deportação da história dos Estados Unidos.
Mortes durante operações geram críticas
A nova fase da fiscalização reacendeu o debate sobre os métodos utilizados pelo ICE.
Em julho, dois imigrantes morreram baleados por agentes durante tentativas de abordagem de veículos: Lorenzo Salgado Araujo, no Texas, e Johan Sebastián Durán Guerrero, no Maine.
As mortes provocaram críticas em nível local e nacional e levaram o ICE a suspender temporariamente a maioria das abordagens de veículos. A pausa, porém, durou apenas um dia após intervenção do presidente Trump.
As investigações sobre os dois casos continuam em andamento.
Prisões em aeroportos também geram controvérsia
Nas últimas semanas, prisões realizadas por agentes do ICE à paisana em áreas de embarque e balcões de check-in de aeroportos chamaram atenção e geraram protestos de passageiros.
Algumas dessas ações foram registradas por testemunhas e viralizaram nas redes sociais.
Segundo a reportagem, as operações foram facilitadas por uma maior cooperação entre o ICE e a Administração de Segurança dos Transportes (TSA), que passou a fornecer informações sobre viajantes não cidadãos, incluindo pessoas com status migratório expirado.
Governo amplia grupos sujeitos à deportação
A administração Trump também ampliou o número de pessoas que podem ser alvo de prisão e deportação.
Uma das medidas mais recentes foi o encerramento do Status de Proteção Temporária (TPS) para mais de 300 mil imigrantes haitianos.
Segundo autoridades e organizações de defesa dos imigrantes, alguns haitianos em Ohio já começaram a receber notificações para comparecer a escritórios locais do ICE, aumentando a preocupação em comunidades como Springfield.
O Departamento de Segurança Interna afirmou que, desde o retorno de Trump ao governo, mais de 1 milhão de imigrantes foram presos e mais de 985 mil foram deportados.
Especialistas avaliam que, embora a forma de divulgação das operações tenha mudado, o objetivo de ampliar as deportações em massa continua sendo uma das principais prioridades da administração.
Fonte: CBS

