O secretário de Segurança Interna dos Estados Unidos, Markwayne Mullin, passou a ser alvo de críticas de setores da base do presidente Donald Trump após fazer comentários sobre imigração, vistos de trabalho e operações do ICE.
Durante uma reunião da Associação Nacional de Governadores, Mullin afirmou que o crescimento da economia americana depende também da ampliação de vistos de emprego para trabalhadores dos setores agrícola e rural.
Segundo ele, a ideia de que trabalhadores estrangeiros sempre retiram vagas de americanos “é verdadeira em alguns setores, mas não em todos”.
“Queremos cuidar dos americanos primeiro. É nossa economia, é nossa pátria. Mas existe uma forma de utilizar a mão de obra onde não temos a participação necessária e preencher essas lacunas”, declarou.
A fala provocou reação entre apoiadores de Trump que defendem uma política migratória mais rígida.
Greg Bovino, ex-comandante da Patrulha de Fronteira, afirmou nas redes sociais que Mullin deu “uma aula de como responder mal” ao tema. A comentarista da Fox News Tomi Lahren também criticou a declaração, dizendo que a posição sobre vistos de trabalho “não foi para isso que votamos”.
Após a repercussão, Mullin tentou esclarecer sua posição e afirmou que não apoia anistia para imigrantes em situação irregular.
“Não haverá anistia para estrangeiros ilegais. Somos uma nação de leis. Se você está ilegalmente nos Estados Unidos, será detido e deportado”, escreveu.
O secretário também recebeu críticas ao comentar as operações do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas (ICE).
Mullin afirmou que a agência não pretende realizar grandes batidas em locais de trabalho ou estacionamentos de lojas, mas concentrar esforços na retirada de pessoas consideradas “as piores das piores”, repetindo uma expressão usada frequentemente por integrantes do governo Trump.
“Não estamos fazendo batidas. Não estamos arrombando portas. Não estamos fazendo paradas de trânsito. Estamos simplesmente prendendo essas pessoas quando elas saem”, disse.
As declarações também incomodaram aliados mais conservadores do presidente.
Steve Bannon, ex-estrategista de Trump, afirmou que Mullin seria “a pessoa errada no momento errado” para o cargo, argumentando que a administração deveria estar focada em “deportações em massa”.
Mike Howell, do grupo conservador Oversight Project, disse que a base de Trump espera números maiores de deportações e classificou o episódio como uma “distração”.
O Departamento de Segurança Interna defendeu Mullin e afirmou que ele trabalha em conjunto com Trump, o conselheiro Stephen Miller e o czar da fronteira Tom Homan para cumprir a promessa de remover imigrantes criminosos do país.
A pasta reforçou que “se alguém entrar ilegalmente nos Estados Unidos, será detido e deportado”.
Durante o encontro com governadores, Mullin também comparou sua abordagem à da ex-secretária Kristi Noem, cuja gestão ficou marcada por vídeos de operações do ICE e ações de grande visibilidade.
Ele pediu cooperação dos estados para priorizar a retirada de criminosos e afirmou que, com essa estratégia, a presença do ICE nas comunidades poderia diminuir.
Fonte: ABC

