O FBI não está conduzindo uma investigação de direitos civis sobre a morte de um colombiano baleado por um agente do Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos Estados Unidos (ICE) no estado do Maine, segundo fontes ouvidas pela imprensa americana.
O caso envolve Johan Sebastián Durán Guerrero, morto em 13 de julho durante uma abordagem de imigração em Biddeford, Maine. A ação gerou questionamentos sobre o uso da força pelo agente federal, especialmente após imagens de câmeras de segurança mostrarem parte do confronto.
Segundo o Departamento de Segurança Interna (DHS), o agente atirou porque teria considerado que Guerrero representava uma ameaça à segurança pública após supostamente tentar fugir em seu veículo.
Uma testemunha afirmou à CBS News que ouviu Guerrero dizer “eu tentei parar” enquanto era retirado do carro.
O episódio ocorre em meio a uma série de confrontos envolvendo agentes federais de imigração durante o aumento das operações do ICE em todo o país. Outros casos recentes que chamaram atenção nacional incluem as mortes de Renee Good e Alex Pretti, em Minneapolis, e Lorenzo Salgado Araujo, em Houston.
Especialistas em direitos civis afirmam que, tradicionalmente, uma situação como essa — envolvendo a morte de um civil durante uma ação de um agente federal — levaria o FBI e a Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça a assumir a investigação.
“Eu esperaria que, se as coisas estivessem funcionando como tradicionalmente funcionavam, este seria um caso em que o FBI estaria investigando”, afirmou Sam Trepel, ex-promotor federal de direitos civis.
O FBI informou que não comenta o caso e encaminhou perguntas ao escritório do inspetor-geral do DHS e ao procurador-geral do Maine.
O Departamento de Justiça esclareceu que, neste momento, a investigação está sendo liderada pelo Escritório do Inspetor-Geral do DHS e pelo governo do Maine, enquanto o FBI estaria disponível para oferecer apoio.
O DHS afirmou que revisões de casos envolvendo uso da força por seus agentes fazem parte dos procedimentos internos da agência. O órgão pode conduzir investigações criminais, administrativas ou de conduta profissional.
No entanto, especialistas destacam que apenas o FBI costuma investigar possíveis violações de direitos constitucionais cometidas por agentes federais, incluindo casos previstos na legislação contra privação de direitos sob autoridade oficial.
Outro ponto que gerou críticas foi o fato de os agentes do ICE envolvidos na operação não estarem usando câmeras corporais no momento da morte. Após o caso, o ICE passou a exigir que pelo menos uma câmera fosse ativada durante abordagens de veículos.
Segundo o DHS, Guerrero não era o alvo principal da operação, mas seu veículo apresentava quatro marcas de tiros no lado do motorista.
A investigação estadual já ouviu a companheira de Guerrero e a mãe da filha pequena do casal. O advogado da família afirmou que, até o momento, nenhum representante do FBI ou de outra agência federal entrou em contato com elas.
Para especialistas, a ausência do FBI pode prejudicar a confiança pública no processo.
“É muito preocupante porque indica que essa revisão talvez não seja tão completa ou independente quanto no passado”, afirmou Kristy Parker, ex-integrante da Divisão Criminal de Direitos Civis do Departamento de Justiça.
Fonte: CBS

