O aumento das deportações e da pressão migratória nos Estados Unidos está levando milhares de famílias brasileiras a antecipar uma providência importante: o registro, nos consulados, dos filhos nascidos em território americano.
Segundo dados do Itamaraty, os consulados brasileiros nos Estados Unidos receberam mais de 21 mil pedidos de registro de nascimento em 2025. Em 2021, foram 5.660 solicitações — um aumento de aproximadamente 271% em quatro anos.
O crescimento foi ainda maior em algumas regiões com grandes comunidades brasileiras. Em Boston, os pedidos aumentaram 551% no período. Em Nova York, a alta chegou a 339%, enquanto em Miami foi de 119%.
Para muitas famílias, o documento deixou de ser apenas uma formalidade para viagens e passou a ser visto como uma forma de garantir que os filhos tenham a documentação brasileira caso seja necessário retornar ao país de forma inesperada.
Deportações aumentam preocupação das famílias
A procura ocorre em meio ao aumento das deportações de brasileiros.
Desde janeiro de 2025, pelo menos 5 mil brasileiros foram deportados para o Brasil em 63 voos, segundo dados oficiais citados nas reportagens sobre o aumento dos registros. Entre eles estavam 164 menores de idade.
A maioria das crianças viajava acompanhada de um ou dos dois pais deportados. Pelo menos nove adolescentes teriam sido enviados ao Brasil desacompanhados e posteriormente encaminhados para familiares.
Apesar do receio de uma eventual separação familiar, o governo brasileiro afirmou não ter recebido relatos de brasileiros nessa situação no atual contexto migratório.
Filho de brasileiro pode ter nacionalidade brasileira
Um ponto importante é que nascer nos Estados Unidos não impede que a criança também tenha a nacionalidade brasileira, quando preenchidos os requisitos previstos na Constituição.
Filhos de pai ou mãe brasileira nascidos no exterior podem ter reconhecida a condição de brasileiros natos mediante registro em repartição brasileira competente, conforme as hipóteses constitucionais.
O registro consular de nascimento é gratuito e, depois de concluído, os pais também podem solicitar o passaporte brasileiro da criança.
Como fazer o registro?
O procedimento deve ser realizado no consulado brasileiro responsável pela região onde a família mora, e as exigências podem variar de acordo com cada unidade.
Em Boston, por exemplo, o processo começa pelo sistema e-consular, onde os documentos são enviados para análise. Depois da validação, a família pode agendar o atendimento presencial.
Normalmente, são solicitados a certidão de nascimento estrangeira da criança e documentos de identidade e nacionalidade dos pais. Dependendo da idade e da situação familiar, outros documentos podem ser necessários.
Após a emissão do registro no exterior, existe ainda outra etapa: a transcrição da certidão consular de nascimento no Brasil, em cartório de Registro Civil. Quando não há domicílio no país, o procedimento pode ser feito no Distrito Federal.
Documentação não muda situação migratória dos pais
O registro brasileiro não regulariza a situação migratória dos pais nos Estados Unidos, não impede uma deportação e não oferece proteção contra ações das autoridades americanas.
A importância do documento está em garantir oficialmente o reconhecimento da nacionalidade brasileira da criança e facilitar sua documentação caso ela precise viajar ou viver no Brasil.
Por isso, especialistas e autoridades consulares recomendam que as famílias não deixem esse procedimento para uma situação de emergência. Em um cenário de maior rigor migratório, ter a documentação pronta pode evitar que uma eventual viagem repentina ao Brasil se transforme em uma corrida contra o tempo para regularizar os documentos dos filhos.
Fonte: Jovem Pan

