Mais de 150 pessoas participaram de uma manifestação contra as operações do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, o ICE, na noite de quarta-feira, 26 de agosto, no centro de Fort Myers, no sudoeste da Flórida.
O protesto, denominado “ICE Out Now”, aconteceu nas proximidades do Luminary Hotel. Os participantes questionaram relatos de que agentes federais estariam utilizando hotéis de Fort Myers e Estero como base durante uma ampliação das ações migratórias no Condado de Lee.
Fontes ouvidas pela emissora pública WGCU afirmaram que aproximadamente 100 agentes teriam sido enviados da região de Miami e hospedados em quatro hotéis. A informação, entretanto, não foi confirmada oficialmente pelo ICE. Procurado pela emissora, um supervisor do Luminary Hotel não confirmou nem negou a presença dos agentes. WGCU News?
Organizador da manifestação, James Abraham, morador de Babcock Ranch, afirmou que o grupo pretende continuar realizando protestos enquanto as operações migratórias estiverem provocando medo entre as famílias da região.
Os participantes também destacaram a importância dos trabalhadores imigrantes para setores como agricultura, construção e recuperação de imóveis danificados por furacões. Segundo os manifestantes, o aumento das operações pode separar famílias e afetar atividades econômicas que dependem dessa mão de obra.
Prisão ocorreu em caso separado
Na manhã seguinte ao protesto, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, anunciou a prisão de Maria Del Carmen Negrete Raya, mexicana de 39 anos, acusada de agredir agentes do ICE.
A prisão não ocorreu durante a manifestação e, até o momento, não existe indicação de que Maria tenha participado do protesto. O episódio que originou as acusações aconteceu uma semana antes, em 19 de agosto, durante uma operação migratória na região de Fort Myers.
Segundo a versão apresentada pelo governo da Flórida, agentes do setor de Enforcement and Removal Operations do ICE tentaram abordar um veículo registrado em nome de uma pessoa que não era cidadã americana.
Depois que os ocupantes teriam abandonado o veículo e fugido, Maria teria confrontado os agentes, avançado em direção ao carro oficial e tentado entrar. As autoridades alegam que ela chutou e deu socos nos oficiais, atingindo um deles na região da virilha. O agente teria sofrido ferimentos leves e a equipe decidiu se afastar para reduzir a tensão.
Maria foi presa sob três acusações de agressão contra agente da lei. O caso foi investigado pela Florida Highway Patrol, pelo ICE e pelo Departamento do Xerife do Condado de Lee, com participação do Escritório de Promotoria Estadual da Flórida. Procuradoria-Geral da Flórida?
Pedido de asilo apresentado em 2023
De acordo com as autoridades estaduais, Maria entrou nos Estados Unidos sem passar por inspeção migratória e apresentou um pedido de asilo em 2023. O governo afirma que ela pode ser colocada em processo de remoção.
A legislação da Flórida classifica agressão contra agente da lei como crime de terceiro grau. Os promotores afirmam que poderão pedir o reenquadramento das acusações como crimes de segundo grau devido à situação migratória da acusada. Se o reenquadramento for aceito e houver condenação, cada acusação poderá resultar em pena máxima de até 15 anos. Legislação da Flórida sobre agressão contra agentes? e reclassificação de crimes?.
Até o fechamento desta matéria, não havia sido divulgada uma manifestação pública da defesa sobre as acusações. Maria é considerada inocente até eventual condenação pela Justiça.

