Gregory Bovino, ex-comandante da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos (Border Patrol), estava sob investigação interna da agência quando se aposentou, segundo documentos divulgados recentemente e analisados pela CBS News.
Bovino ganhou destaque durante o governo Donald Trump por liderar operações de fiscalização migratória em cidades como Los Angeles, Chicago, Charlotte, Nova Orleans e, posteriormente, Minneapolis.
O que motivou a investigação?
Em 2 de março, a Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP) informou Bovino por e-mail que havia iniciado uma investigação oficial sobre possíveis condutas inadequadas.
Entre os questionamentos estavam declarações feitas por Bovino durante processos judiciais e comentários atribuídos a ele sobre questões relacionadas à religião judaica.
Os investigadores também perguntaram se Bovino havia feito uma declaração sobre criminosos ortodoxos supostamente não trabalharem aos sábados, em referência ao Shabat, além de questioná-lo sobre uma possível menção à expressão “povo escolhido”.
Os documentos indicam que a agência avaliava se essas declarações poderiam violar as normas de conduta profissional da CBP.
Questionamentos sobre depoimentos
A investigação também abordou decisões da juíza federal Sara Ellis em um processo envolvendo ações da Patrulha de Fronteira durante protestos em Chicago.
Em uma decisão anterior, Ellis afirmou que Bovino havia fornecido informações falsas em depoimentos sobre determinados acontecimentos. A CBP perguntou ao ex-comandante se ele reconhecia que essas conclusões poderiam precisar ser divulgadas caso fosse chamado a testemunhar em outro julgamento.
O questionamento envolvia o conceito jurídico conhecido como “Giglio impairment”, relacionado à obrigação dos promotores de informar problemas de credibilidade de testemunhas policiais que possam ser relevantes para um processo.
Posteriormente, um tribunal federal de apelações anulou a decisão preliminar de Ellis, sem determinar se as conclusões da juíza sobre a credibilidade de Bovino estavam corretas.
Aposentadoria
A CBP enviou a Bovino a comunicação sobre a investigação em 2 de março. Apenas 16 dias depois, ele apresentou um pedido oficial relacionado à sua aposentadoria.
Bovino afirmou à CBS News que foi “forçado a se aposentar” e acusou o atual comissário da CBP, Rodney Scott, de agir por razões políticas.
A agência, por sua vez, afirmou que Bovino se aposentou voluntariamente e que não comenta questões envolvendo ex-funcionários.
Bovino deixou o cargo de “comandante geral” no fim de janeiro, após as mortes de Renee Good e Alex Pretti, cidadãos americanos, durante operações em Minneapolis provocarem forte reação política.
O ex-comandante também havia sido criticado por declarações feitas após a morte de Pretti, quando afirmou, sem apresentar evidências públicas, que o homem pretendia realizar um ataque contra agentes federais.
Fonte: CBS

