O governo da China cobra explicações das autoridades dos Estados Unidos após um cidadão chinês morrer poucas horas depois de ser colocado sob custódia do Serviço de Imigração e Controle de Alfândega dos EUA (ICE) em um território americano.
Lianyong Wei, de 51 anos, morreu em 23 de agosto, em um hospital das Ilhas Marianas do Norte, informou o ICE em um comunicado divulgado na terça-feira.
Wei havia sido preso em 21 de agosto pelo Departamento de Segurança Pública das Ilhas Marianas do Norte, sob acusações criminais relacionadas a uma suposta agressão contra uma família de cinco pessoas em sua residência. No dia seguinte, ele foi transferido para a custódia do ICE enquanto aguardava o processo de deportação.
Segundo a agência, um agente encontrou Wei inconsciente durante uma inspeção de rotina na manhã de 23 de agosto. Ele foi levado a um pronto-socorro, onde morreu após serem iniciadas “medidas de suporte à vida”. O ICE informou que a causa da morte está sendo investigada.
Wei entrou no território americano em fevereiro de 2019 e recebeu autorização para permanecer por duas semanas, de acordo com o ICE. As autoridades americanas iniciaram o processo de deportação em julho de 2026, e uma nova audiência estava marcada para este mês.
O Consulado-Geral da China em Los Angeles afirmou ter sido informado sobre a morte.
“Expressamos sérias preocupações às autoridades americanas responsáveis pelo caso e exigimos uma investigação completa e em tempo hábil sobre a causa da morte do senhor Wei, a comunicação dos resultados, medidas para evitar a repetição de incidentes semelhantes e assistência à família do falecido para lidar com as consequências”, afirmou o consulado em comunicado.
Pelo menos cinco chineses morreram sob custódia migratória
Wei é pelo menos o quinto cidadão chinês a morrer sob custódia do ICE ou da Patrulha de Fronteira dos EUA desde março de 2025, segundo um levantamento da Associated Press.
Entre os quatro casos anteriores, duas mortes foram classificadas como suicídios e as outras duas foram atribuídas a complicações médicas.
Ao menos 57 pessoas detidas pelo ICE morreram desde que o presidente Donald Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025. O número tem provocado preocupação entre especialistas em saúde pública, organizações de defesa dos imigrantes e o governo do México.
O ICE não informou se Wei passou pela avaliação médica de admissão oferecida aos detidos nas primeiras 12 horas sob custódia. Especialistas em saúde afirmam que uma triagem médica completa é fundamental para identificar problemas que possam levar a mortes evitáveis.
Também não está claro por que o ICE levou mais de uma semana para reconhecer publicamente a morte de Wei. Autoridades das Ilhas Marianas do Norte haviam anunciado o caso em 24 de agosto. O próprio ICE afirma que busca divulgar comunicados sobre mortes de pessoas sob custódia em até dois dias úteis.
Centro de detenção de Saipan abriga poucos detidos
O centro de detenção em Saipan manteve, em média, 18 pessoas sob custódia do ICE por dia neste ano, segundo dados da própria agência. As Ilhas Marianas do Norte têm aproximadamente 50 mil habitantes.
Após o caso, as autoridades locais afirmaram que irão revisar os procedimentos adotados no centro.
“Após este incidente, o Departamento está revisando os procedimentos pertinentes e implementará as medidas corretivas necessárias para fortalecer as ações de prevenção e resposta”, afirmou Anthony Torres, comissário de correções das Ilhas Marianas do Norte.
Fonte: Local 10

