A ex-juíza de imigração Chloe Dillon processou o governo de Donald Trump, alegando ter sido demitida sem justa causa após levantar preocupações sobre a atuação de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em um caso envolvendo um menor desacompanhado.
Dillon atuou durante três anos como juíza de imigração em San Francisco, na Califórnia. Na ação apresentada à Justiça, ela afirma que foi demitida em agosto de 2025, apesar de ter recebido avaliações consideradas excelentes e de ter decidido milhares de processos, com poucos recursos.
Segundo a denúncia, Dillon acredita que sua demissão foi uma retaliação por denúncias internas de possíveis irregularidades. De acordo com o sindicato que representa os juízes de imigração, ela está entre os mais de 120 magistrados da área que foram afastados durante o governo Trump em meio ao endurecimento das políticas migratórias.
A ex-juíza afirma que, em abril de 2025, os magistrados receberam uma orientação determinando que todos os pedidos do Departamento de Segurança Interna (DHS) para transferir processos para outros tribunais deveriam ser aprovados. Segundo os advogados de Dillon, a determinação contrariava decisões judiciais anteriores que davam aos juízes autonomia para decidir sobre mudanças de foro.
Dillon teria questionado a medida e alertado que ela poderia afetar inclusive o direito dos imigrantes de contar com representação jurídica. Segundo a ação, a então juíza também foi alertada por uma autoridade superior de que a Casa Branca estava acompanhando o assunto e que ela deveria ter cautela ao insistir na questão.
A denúncia também afirma que Dillon questionou procedimentos adotados pelo ICE para reabrir processos de solicitantes de asilo que haviam sido encerrados. Em julho e agosto de 2025, ela teria emitido duas decisões rejeitando pedidos do órgão relacionados a casos de menores desacompanhados.
No fim de agosto, Dillon diz ter tomado conhecimento de outro caso envolvendo uma pessoa presa pelo ICE após deixar o tribunal de imigração. Segundo ela, o indivíduo havia comparecido à audiência sem advogado e, posteriormente, a ex-juíza identificou indícios de que se tratava de um menor desacompanhado que não poderia ser submetido a determinados procedimentos de deportação acelerada.
Dillon afirma que, naquele mesmo dia, enviou um e-mail à juíza-chefe assistente Loi McCleskey relatando suas preocupações e mencionando possíveis violações da legislação e do devido processo legal.
De acordo com a ação, 48 horas depois, Dillon recebeu uma carta informando que seu contrato estava sendo encerrado pelo então diretor interino do Escritório Executivo de Revisão de Imigração. O documento citava o Artigo II da Constituição dos Estados Unidos como base para a demissão.
Em declaração à ABC News, um porta-voz do Departamento de Justiça rejeitou as acusações e afirmou que a alegação de Dillon é "patentemente falsa".
O departamento também defendeu a política migratória do governo Trump e afirmou que está trabalhando para restaurar a integridade do sistema de imigração e proteger a segurança nacional e a segurança pública.
Fonte: ABC

