O agente do Immigration and Customs Enforcement (ICE) que baleou um entregador venezuelano em Austin, no Texas, no domingo, não usava uma câmera corporal no momento do disparo, segundo fontes familiarizadas com a investigação ouvidas pela CBS News.
Wilber Rafael Garces Perez, de 28 anos, foi atingido na parte superior do corpo enquanto trabalhava fazendo entregas para a DoorDash. Segundo autoridades federais, ele possui uma ordem final de deportação.
O agente responsável pelo disparo ingressou no ICE no ano passado, depois de ter trabalhado como agente da Patrulha de Fronteira dentro da U.S. Customs and Border Protection (CBP), de acordo com fontes policiais.
O caso é o mais recente envolvendo agentes federais durante as operações de repressão à imigração promovidas pelo governo Trump. O episódio provocou protestos no Texas e pedidos por responsabilização e por uma investigação independente e transparente.
Imagens não mostram o momento do disparo
Na terça-feira, o Departamento de Polícia de Austin divulgou imagens de câmeras instaladas em veículos e câmeras corporais de dois policiais que chegaram ao local após o tiroteio. No entanto, nenhuma das gravações mostra o que aconteceu antes do disparo.
A chefe da polícia de Austin, Lisa Davis, e o prefeito Kirk Watson já haviam afirmado que policiais locais não participaram do tiroteio.
A advogada de Garces Perez, Kate Lincoln-Goldfinch, afirmou que espera que todas as imagens disponíveis sejam divulgadas pelas agências envolvidas para permitir uma compreensão completa do que aconteceu.
A ausência de uma câmera corporal no agente do ICE, informação inicialmente divulgada pelo The Atlantic, deve aumentar os questionamentos sobre o episódio.
No início deste mês, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou que todos os agentes do ICE deveriam estar equipados com câmeras corporais até o fim de setembro. O Departamento de Segurança Interna não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre a ausência do equipamento no caso.
Venezuelano continua sob custódia do ICE
A situação médica de Garces Perez também gerou questionamentos. Após ser hospitalizado no domingo, ele foi colocado sob custódia do ICE. O Departamento de Segurança Interna afirma que o venezuelano está ilegalmente nos Estados Unidos e possui uma ordem definitiva de deportação.
O deputado democrata Joaquin Castro, do Texas, afirmou que Garces Perez voltou ao hospital na segunda-feira depois de relatar perda de sensibilidade no lado esquerdo do corpo e acreditar que a bala permanecia alojada em suas costas.
Na terça-feira, Castro disse que o venezuelano havia sido levado novamente ao South Texas Detention Complex, em Pearsall. O parlamentar informou que pretende visitá-lo nesta quarta-feira.
Segundo a advogada, Garces Perez afirmou estar recebendo apenas Tylenol e ibuprofeno para controlar a dor. Ela também disse que ele permanece isolado, deitado em uma cama plana e sem o tablet que utilizava anteriormente para se comunicar.
A defesa entrou com um pedido de habeas corpus para solicitar a libertação de Garces Perez da custódia do ICE, alegando questões constitucionais.
Na segunda-feira, o juiz federal Orlando Garcia determinou que o venezuelano participe presencialmente de uma audiência sobre o pedido em 30 de setembro. Com a decisão, o ICE fica impedido de deportá-lo até a realização da audiência.
Fonte: CBS

