Pelo menos 21 pessoas foram baleadas por agentes federais de imigração desde o início do segundo mandato de Donald Trump, segundo um levantamento da ABC News baseado em reportagens, comunicados oficiais e declarações de parlamentares. Oito dos casos foram fatais, incluindo três envolvendo cidadãos dos Estados Unidos.
O caso mais recente ocorreu no domingo, em Austin, no Texas. Um agente do ICE atirou em Wilber Rafael Garces Perez, venezuelano que fazia entregas para a DoorDash. O Departamento de Segurança Interna (DHS) afirmou que ele estava ilegalmente no país e tinha uma ordem final de deportação. A advogada de Perez contesta a versão e diz que ele estava legalmente nos EUA e havia solicitado asilo.
Segundo fontes policiais ouvidas pela ABC, o agente envolvido não utilizava câmera corporal durante o episódio.
Além dos 21 casos com vítimas baleadas, a ABC identificou pelo menos 15 outras ocorrências em que agentes federais de imigração dispararam armas, mas ninguém foi atingido.
O episódio de Austin reacendeu críticas de parlamentares e grupos de defesa dos imigrantes à atuação do ICE durante a campanha de deportações do governo Trump. O DHS, porém, afirmou que a agência continuará cumprindo as leis federais e que não deixará Austin.
Famílias cobram respostas
Em uma audiência no Congresso nesta terça-feira, familiares de pessoas mortas em confrontos com agentes do ICE relataram suas experiências.
Donna Ganger, mãe de Renee Good, americana de 37 anos morta a tiros por um agente do ICE em Minneapolis, disse que havia votado em Trump acreditando que os agentes protegeriam cidadãos americanos.
A família de Lorenzo Salgado, mexicano de 52 anos morto por um agente do ICE em Houston em julho, também participou da audiência. Segundo o filho, a família ainda não recebeu pertences pessoais do homem nem informações sobre a investigação.
O agente envolvido na morte de Good não foi acusado criminalmente pelo caso até o momento.
A ABC também identificou outros episódios envolvendo disparos de agentes de imigração durante o atual governo, enquanto autoridades e organizações civis continuam discutindo a atuação do ICE e a necessidade de investigações independentes sobre as mortes.
Fonte: ABC

