Oscar Belgal, de 28 anos, continua com uma bala alojada no pescoço quase uma semana depois de ser baleado durante uma abordagem de agentes do Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), em Manhattan, Nova York. Segundo documentos apresentados por seus advogados na quarta-feira (14), ele permanece detido em um centro de imigração e recebe apenas ibuprofeno para aliviar a dor.
De acordo com a petição apresentada pela Legal Aid Society, Belgal sente dormência em todo o lado esquerdo do rosto e enfrenta dificuldades para ouvir pelo ouvido esquerdo. Cidadão da República Dominicana, ele está detido em uma unidade separada do Metropolitan Detention Center, no Brooklyn, enquanto o governo federal busca deportá-lo.
Na quarta-feira, o juiz federal Hector Gonzalez proibiu temporariamente o governo Trump de deportar Belgal ou transferi-lo para fora dos distritos judiciais do sul e do leste de Nova York e de Nova Jersey. Uma decisão semelhante já havia sido emitida por outro juiz na semana anterior.
Gonzalez também pediu ao governo explicações sobre a manutenção da prisão obrigatória do homem sem possibilidade de fiança, diante de decisões judiciais recentes que restringem esse tipo de detenção sem análise das circunstâncias individuais.
Advogados contestam versão do governo
A defesa afirma que os agentes do ICE prenderam Belgal sem mandado e não se identificaram antes de abrir fogo. Segundo a petição, ele havia buscado o filho de 5 anos na escola e parado em um McDonald's para um lanche antes de voltar para casa.
Ao estacionar perto de um hidrante, Belgal teria começado a manobrar o veículo quando homens mascarados cercaram o carro. Os advogados alegam que um agente quebrou a janela do motorista e disparou contra o veículo enquanto a criança estava no banco traseiro.
Imagens de vigilância mostram dois homens armados, vestidos à paisana, aproximando-se do SUV. Belgal aparece dando marcha à ré e, em seguida, saindo da vaga, enquanto um dos homens golpeia e quebra a janela do motorista. As imagens não esclarecem o que foi dito durante a abordagem.
O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) afirmou anteriormente que Belgal teria ligações com uma gangue e antecedentes criminais. Segundo a versão oficial, ele teria usado o veículo como arma quando os agentes tentaram cercá-lo durante a operação. Belgal nega envolvimento com gangues, e seus advogados dizem que o governo não apresentou provas dessas alegações.
O ICE não havia comentado o novo documento judicial até a publicação das informações.
Caso provoca reação política
O disparo provocou críticas de moradores e autoridades de Nova York. O prefeito Zohran Mamdani pediu que o governo federal retire os agentes do ICE da cidade.
Em resposta, o secretário de Segurança Interna, Markwayne Mullin, criticou as políticas municipais de proteção a imigrantes, conhecidas como políticas de cidades-santuário.
O caso segue em disputa judicial, enquanto a defesa busca garantir atendimento adequado a Belgal e impedir sua deportação durante a tramitação do processo.
Fonte: ABC

