O governo da Venezuela solicitou nesta quinta-feira (9) uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU para discutir as ações militares dos Estados Unidos nas últimas semanas nas águas próximas ao país. Na carta enviada ao embaixador russo e presidente do Conselho, Vassily Nebenzia, Caracas denunciou “ameaças crescentes” de Washington e afirmou esperar um “ataque armado em um curto espaço de tempo”.
Segundo o documento, o governo do presidente Donald Trump estaria tentando derrubar Nicolás Maduro, colocando em risco a paz e a estabilidade regional e internacional. A reunião está marcada para sexta-feira (10), às 15h (horário de Nova York).
O pedido venezuelano foi feito um dia após o Congresso dos EUA rejeitar um projeto que limitaria o poder de Trump de usar força militar letal contra traficantes de drogas. Desde o aumento das operações navais no Caribe, os EUA realizaram quatro ataques contra embarcações supostamente ligadas ao narcotráfico, que deixaram 21 mortos. A Venezuela, contudo, acusa Washington de usar o combate às drogas como pretexto para uma política de “mudança de regime” e controle dos recursos naturais do país.
O embaixador venezuelano na ONU, Samuel Moncada, escreveu que o verdadeiro objetivo dos EUA é o mesmo “há mais de 26 anos: tomar o controle das vastas riquezas naturais venezuelanas”.
O governo venezuelano reconheceu pela primeira vez a ocorrência dos ataques, embora inicialmente tenha alegado que um dos vídeos divulgados por Trump teria sido gerado por inteligência artificial. O governo norte-americano afirma que três das embarcações partiram da Venezuela.
Na semana anterior, Maduro já havia ameaçado declarar estado de emergência diante do que chamou de “agressão” dos EUA. Ele também negou as acusações do secretário de Estado Marco Rubio, que disse que o exército venezuelano estaria colaborando com cartéis de drogas. “Rejeito e repudio as declarações de Rubio. Defendo a moralidade dos nossos soldados”, afirmou Maduro.
Atualmente, os Estados Unidos oferecem recompensa de US$ 50 milhões pela captura de Maduro. O pedido de reunião na ONU foi feito horas antes de a opositora María Corina Machado — adversária política do regime — ser anunciada como vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025.
Fonte: CBS

