A Organização Mundial da Saúde (OMS) emitiu um alerta nesta segunda-feira (13) sobre o aumento acelerado de infecções causadas por superbactérias resistentes a antibióticos, o que ameaça a eficácia de tratamentos vitais e transforma ferimentos leves e doenças comuns em potenciais causas de morte.
De acordo com a OMS, uma em cada seis infecções bacterianas registradas em laboratório em 2023 mostrou resistência a antibióticos. “Esses dados são profundamente preocupantes. Estamos ficando sem opções de tratamento e colocando vidas em risco”, afirmou Yvan J-F. Hutin, chefe do departamento de resistência antimicrobiana da organização.
A resistência bacteriana, fenômeno natural agravado pelo uso excessivo de antibióticos em humanos, animais e na produção de alimentos, já causa mais de 1 milhão de mortes diretas por ano e contribui para cerca de 5 milhões de mortes anuais, segundo a OMS.
O relatório analisou 22 antibióticos usados no tratamento de infecções urinárias, gastrointestinais, na corrente sanguínea e gonorreia. Nos cinco anos até 2023, a resistência aumentou em mais de 40% das drogas monitoradas, com crescimento anual entre 5% e 15%. Para infecções urinárias, a resistência a antibióticos de uso comum já ultrapassa 30% globalmente.
Entre as bactérias mais preocupantes estão E. coli e K. pneumoniae, responsáveis por infecções graves que podem evoluir para sepse, falência de órgãos e morte. Atualmente, 40% das infecções por E. coli e 55% das infecções por K. pneumoniae são resistentes às cefalosporinas de terceira geração, consideradas o tratamento de primeira escolha.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu que a resistência antimicrobiana “está superando os avanços da medicina moderna” e representa uma ameaça global à saúde pública.
Nos Estados Unidos, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) informou que as infecções por “bactérias pesadelo” resistentes a medicamentos cresceram quase 70% entre 2019 e 2023.
A OMS reconheceu progressos na vigilância, mas destacou que 48% dos países ainda não fornecem dados sobre resistência antimicrobiana, o que dificulta o controle global. As taxas mais altas estão nas regiões do Sudeste Asiático e Mediterrâneo Oriental, ondeuma em cada três infecções é resistente, seguidas pela África, com uma em cada cinco.
Especialistas alertam que há poucos novos medicamentos e testes em desenvolvimento, o que agrava a situação. “O aumento do uso de antibióticos, o crescimento da resistência e a falta de inovação formam uma combinação extremamente perigosa”, alertou Hutin.
Fonte: CBS

