A colunista Gillian Tett, do Financial Times, afirmou nesta sexta-feira (28) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva saiu vitorioso na disputa tarifária contra o governo de Donald Trump. Após meses de tensão diplomática, os Estados Unidos reverteram tarifas extras anunciadas em agosto, que haviam elevado a taxação de produtos brasileiros para 50%. Tett ironizou o recuo e retomou o apelido “TACO” — Trump Always Chickens Out — que viralizou no Brasil em meio à expectativa de que o presidente americano voltaria atrás.
Na última semana, Washington retirou a sobretaxa sobre mais de 200 produtos brasileiros, como café, carne bovina, cacau e frutas, ampliando a lista de exceções ao tarifaço. A mudança ocorreu após encontro entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio. Antes disso, os EUA já haviam reduzido tarifas de outros 200 itens alimentícios. Trump justificara o tarifaço alegando riscos à segurança nacional.
Segundo o Financial Times, Lula respondeu “de forma desafiadora” às ameaças, o que fortaleceu sua imagem interna. A colunista afirma que o episódio deixa três lições. A primeira: a Casa Branca está mais sensível ao impacto político do custo de vida, já que pesquisas indicam queda na confiança do consumidor e na popularidade de Trump. A segunda: “valentões geralmente respondem à força”, e países como China — e agora o Brasil — têm explorado essa dinâmica. A terceira: é essencial separar táticas de objetivos ao analisar a presidência Trump, marcada por imprevisibilidade e ações agressivas que, segundo Tett, funcionam mais como métodos de pressão do que como metas permanentes.
Para ela, o recuo sobre as tarifas brasileiras segue um padrão de “movimentos melodramáticos” que permitem ao governo mudar de rumo sem constrangimento — como também ocorreu na reaproximação recente entre Trump e o prefeito de Nova York, Zohran Mamdani. Tett conclui que, apesar da natureza “caprichosa” do presidente americano, entender o que é tática e o que é objetivo real é fundamental. No caso brasileiro, diz, Lula enviou um sinal firme: “Reis raramente são tão todo-poderosos quanto parecem”.
Fonte: G1

