O Ministério Público Federal (MPF) denunciou sete integrantes de uma organização criminosa acusada de promover a migração ilegal de brasileiros para os Estados Unidos por meio de fraude na obtenção de vistos. O grupo atuou entre 2017 e 2019, principalmente em Goiânia e Anápolis (GO), oferecendo serviços para burlar o sistema consular americano.
De acordo com a denúncia, os investigados responderão por crimes como organização criminosa, falsidade ideológica em documento público estrangeiro, falsificação de documento público, promoção de migração ilegal e coação no curso do processo. As autoridades identificaram ao menos oito casos de migração ilegal consumada e seis tentativas, além de 14 inserções de informações falsas em formulários consulares e 12 falsificações de documentos públicos.
As investigações da Polícia Federal (PF) e do MPF apontam que o esquema possuía uma estrutura organizada, com divisão de funções entre captação de clientes, produção de documentos falsos e movimentação financeira. Os valores cobrados variavam entre R$ 5 mil e R$ 10 mil por pessoa ou grupo familiar.
Entre as fraudes, estavam o preenchimento de dados falsos no formulário DS-160 — exigido para solicitação de visto — e a criação de contracheques e declarações funcionais falsas, atribuídas a órgãos públicos de segurança, para simular estabilidade financeira e vínculos empregatícios no Brasil. O objetivo era aumentar as chances de aprovação dos pedidos.
O MPF destacou que o esquema envolvia fraude sofisticada e exploração de pessoas, além de prejudicar a credibilidade de instituições brasileiras perante autoridades estrangeiras. Durante as investigações, também foram registrados episódios de intimidação de testemunhas.
As apurações identificaram ainda movimentações financeiras incompatíveis com as atividades declaradas pelos envolvidos. Em um dos casos, uma conta bancária apresentou crescimento superior a R$ 5 milhões em 2022. Diante disso, o MPF solicitou o compartilhamento de dados com a Receita Federal para investigar possíveis irregularidades fiscais.
A Procuradoria também pediu a prisão preventiva da suposta líder do grupo, que teria fugido do país utilizando o próprio esquema fraudulento e atualmente estaria nos Estados Unidos em local desconhecido. O órgão solicitou ainda a inclusão do nome dela na lista de Difusão Vermelha da Interpol, para viabilizar sua captura internacional.
Além das acusações criminais, o MPF requereu que a Justiça determine o pagamento de indenização por danos morais coletivos, a ser revertida ao Tesouro Nacional, em razão dos prejuízos causados ao interesse público e à imagem das instituições brasileiras.

